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COP 30 DESAFIOS E PERSPECTIVAS

ENTRE A COLONIALIDADE AMBIENTAL E OS SABERES DA 
FLORESTA: DESAFIOS DA AMAZÔNIA RUMO À COP-30

07

Resumo

A Amazônia constitui o epicentro das contradições 
que atravessam o mundo contemporâneo: territó-
rio de riqueza natural e de pobreza social, de discur-
sos sobre preservação e práticas de expropriação. 
Este trabalho analisa a relação entre a colonialidade 
ambiental e o modelo extrativista que estrutura a 
economia amazônica, evidenciando suas raízes his-
tóricas e seus desdobramentos atuais. A partir de 
uma perspectiva decolonial, discute-se como os 
saberes tradicionais e as epistemologias da floresta 
configuram alternativas éticas e políticas frente à 
crise civilizatória expressa na emergência climática. 
A realização da COP-30 em Belém do Pará é exa-
minada como acontecimento simbólico e oportuni-
dade de reconfiguração das governanças ambien-

tais, ao mesmo tempo em que evidencia os riscos 
de uma visibilidade meramente discursiva da Ama-
zônia. O texto propõe compreender a floresta não 
como cenário, mas como sujeito político e epistê-
mico, cuja escuta pode redefinir o próprio sentido de 
sustentabilidade e de justiça climática. Em síntese, o 
estudo reivindica o reconhecimento da Amazônia 
como lugar de enunciação e como horizonte de ree-
xistência diante das colonialidades persistentes.

Palavras-chave:

 Amazônia. Colonialidade 

ambiental. Epistemologias da floresta. Saberes tradi-
cionais. COP-30. Justiça climática.

Abstract

The Amazon embodies the contradictions of the 
contemporary world: a land of natural wealth and 
social poverty, of conservation discourses and 

Adelson Silva Soares

Mestre em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPA (PPGD/UFPA);  Advogado OAB-PA; 
Administrador; adm.adelsonsoares@gmail.com

 

https://orcid.org/0009-0008-6394-681X

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extractivist practices. This paper analyzes the rela-
tionship between environmental coloniality and the 
extractivist model that structures the Amazonian 
economy, unveiling its historical roots and current 
manifestations. From a decolonial perspective, it dis-
cusses how traditional knowledge and forest episte-
mologies shape ethical and political alternatives to 
the civilizational crisis expressed in the climate emer-
gency. The hosting of COP-30 in Belém do Pará is 
examined as both a symbolic event and an opportu-
nity to reconfigure environmental governance, while 
also exposing the risks of a merely rhetorical visibility 
of the Amazon. The study proposes to understand 
the forest not as a stage but as a political and epis-
temic subject whose voice may redefine the mean-
ing of sustainability and climate justice. Ultimately, it 
calls for recognizing the Amazon as a locus of enun-
ciation and as a horizon of re-existence amid endur-
ing colonialities.

Keywords:

 Amazon. Environmental coloniality. 

Forest epistemologies. Traditional knowledge. COP-
30. Climate justice.

Recebido em:

 Setembro de 2025 

Aprovado em:

 Outubro de 2025

Introdução

Pensar a Amazônia no século XXI é revisitar a pró-
pria ideia de mundo. Nenhum outro território encarna 
com tanta nitidez as contradições entre progresso e 
destruição, abundância e escassez, reconhecimento 
e subordinação. A floresta, celebrada como patrimô-
nio da humanidade, continua submetida a uma racio-
nalidade que a converte em reserva de recursos e 
fronteira de exploração. Sob o discurso do desenvol-
vimento sustentável, renova-se a lógica da colonia-
lidade – o mesmo paradigma que, desde a invasão 
europeia, hierarquiza vidas, saberes e naturezas. É 
nesse entrelaçamento de permanências e rupturas 

que este trabalho se insere, buscando compreender 
os sentidos e disputas em torno da Amazônia con-
temporânea diante da realização da COP-30.

A pesquisa parte da hipótese de que a crise climá-
tica não é apenas ambiental, mas civilizatória. O 
colapso ecológico decorre da imposição de uma 
ontologia que separou o humano da natureza e ins-
taurou a ideia de domínio sobre a vida. Essa racio-
nalidade, fundada na colonialidade do poder (QUI-
JANO, 2000) e do ser (MALDONADO-TORRES, 
2007), manifesta-se na Amazônia como projeto his-
tórico de ocupação, expropriação e silenciamento. 
O conceito de colonialidade ambiental, trabalhado 
neste estudo, propõe-se a nomear essa continui-
dade estrutural, na qual as formas de exploração 
econômica se sustentam por meio de epistemolo-
gias que negam os saberes locais e perpetuam o 
extrativismo sob novas roupagens discursivas.

Em contraponto, emergem os saberes tradicionais 
e as epistemologias da floresta – modos de conhe-
cer e existir que desafiam a fragmentação moderna 
e afirmam a interdependência entre humanos e 
não humanos. Neles, o conhecimento é relação, e 
a vida, rede de reciprocidades. Essas epistemolo-
gias revelam que a sustentabilidade não é um con-
ceito técnico, mas um modo de ser no mundo. A 
partir de autoras e autores como Rosa Acevedo 
Marin, Catherine Walsh e Arturo Escobar, busca-se 
compreender como tais racionalidades resistem, 
recriam-se e oferecem caminhos de reexistência 
diante da colonialidade ambiental.

O recorte temporal e político da pesquisa se intensi-
fica com a aproximação da COP-30, cuja realização 
em Belém do Pará carrega forte dimensão simbólica 
e epistêmica. Pela primeira vez, o centro do debate 
climático global desloca-se geograficamente para o 
coração da Amazônia. Esse evento, porém, coloca 
em tensão duas possibilidades: a da visibilidade sim-

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bólica, que transforma a floresta em espetáculo, e a 
do protagonismo amazônico, que reconhece seus 
povos como sujeitos de conhecimento e decisão.

Assim, este trabalho percorre três movimentos 
interligados: identificar as raízes da colonialidade 
ambiental que moldam a Amazônia; evidenciar os 
saberes tradicionais como práticas de resistência e 
reconstrução do mundo; e refletir sobre o papel da 
COP-30 como espaço de disputa entre discurso e 
transformação. Mais que uma análise sobre o clima, 
trata-se de um convite à escuta – escuta da floresta, 
de seus povos e de suas epistemologias – como 
possibilidade de reinventar o futuro comum.

1. A colonialidade ambiental e a 
persistência do modelo extrativista

A crise climática na Amazônia não é um fenômeno 
recente nem isolado: ela se enraíza na longa dura-
ção da colonização e na racionalidade eurocen-
trada que reduziu a floresta a fonte de recursos e 
seus povos a obstáculos à acumulação. Desde o 
período colonial, o território amazônico foi interpre-
tado por um olhar que o objetificou, consolidando o 
que Quijano (2000) define como colonialidade do 
poder – um padrão que articula exploração econô-
mica e hierarquia racial. Sob diferentes linguagens 
– do “progresso” à “sustentabilidade” –, essa lógica 
permanece, sustentando um modelo extrativista que 
transforma a natureza em mercadoria e o saber local 
em subalternidade.

Maldonado-Torres (2007) amplia esse diagnós-
tico ao introduzir a colonialidade do ser, revelando 
que a desumanização é o fundamento invisível da 
modernidade. Na Amazônia, essa desumaniza-
ção se traduz na naturalização da violência ambien-
tal e na ideia de que o território pode ser constante-
mente devastado em nome do desenvolvimento. A 
degradação ecológica e a marginalização de povos 

indígenas, quilombolas e ribeirinhos são, portanto, 
expressões simultâneas de uma mesma estrutura 
colonial.

A colonialidade ambiental designa justamente essa 
persistência de uma racionalidade que domina o 
mundo natural sob novas roupagens discursivas. O 
“capitalismo verde” e o mercado de carbono exem-
plificam essa continuidade: prometem conciliar eco-
nomia e ecologia, mas reconfiguram antigas formas 
de exploração. O controle direto da terra é substi-
tuído pelo controle dos fluxos de carbono e da bio-
diversidade, mantendo a Amazônia como reserva 
global de compensação e seus habitantes como 
“guardiões involuntários” do equilíbrio climático.

Escobar (2016) chama atenção para o fato de que 
o desenvolvimento, inclusive o sustentável, é uma 
ontologia política que define o que existe e o que tem 
valor. Ao separar natureza e sociedade, o Ocidente 
instaurou um modo de relação que invisibiliza as cos-
mologias amazônicas, nas quais a floresta é um ser 
relacional e dotado de agência. A crise climática é, 
portanto, também uma crise epistêmica: nasce da 
supressão das múltiplas formas de conhecer e habi-
tar o mundo.

A colonialidade ambiental se renova ainda nas polí-
ticas estatais. Desde o projeto “Integrar para não 
entregar”, na ditadura militar, até as atuais agendas 
de bioeconomia, a Amazônia tem sido tratada como 
fronteira produtiva, não como território de saber e 
vida. Mesmo políticas de conservação, quando con-
cebidas de modo vertical, reforçam a dependência 
e o controle externo. O resultado é uma Amazônia 
simultaneamente celebrada e subalternizada – exal-
tada como “pulmão do mundo”, mas mantida em 
condição periférica no debate global.

Essa ambivalência se estende ao campo jurídico. 
O direito ambiental brasileiro, embora avance em 

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normas protetivas, permanece preso a uma lógica 
antropocêntrica que tutela a floresta como patri-
mônio nacional e não como ente vivo. A concep-
ção moderna de soberania sobre os recursos natu-
rais perpetua a hierarquia entre o Estado e os povos 
que o antecedem, reafirmando o monopólio institu-
cional sobre as decisões territoriais. A colonialidade 
ambiental é, nesse sentido, também uma forma de 
governar e de administrar corpos e territórios.

A apropriação do discurso ambiental pelo capital 
revela a força de sua dimensão simbólica. O extrati-
vismo atual não retira apenas minérios ou madeira: 
extrai também sentidos, imagens e saberes. A este-
tização da floresta – ora como santuário, ora como 
mercadoria – apaga a presença concreta de seus 
povos e converte a natureza em espetáculo. Ace-
vedo Marin (2010) observa que essa homogeneiza-
ção do território silencia as temporalidades plurais 
que habitam a Amazônia, impondo uma linearidade 
desenvolvimentista que nega a diversidade de mun-
dos.

O racismo ambiental aprofunda essa estrutura, dis-
tribuindo de forma desigual os impactos e benefícios 
da exploração. São as populações negras, indígenas 
e ribeirinhas que arcam com o custo da devastação 
e do deslocamento forçado. A geografia da injustiça 
climática, como lembra Lélia Gonzalez, é também 
geografia do racismo – uma hierarquia territorial que 
define quem pode viver em harmonia com a natu-
reza e quem deve sobreviver em meio à escassez.

A transição energética, apresentada como alterna-
tiva verde, repete a mesma lógica extrativista sob 
outra roupagem. A mineração de lítio, o avanço de 
barragens e a corrida por minerais críticos mostram 
que o problema não é apenas tecnológico, mas civi-
lizatório. Enquanto a Amazônia for pensada como 
depósito de soluções para o Norte global, continuará 

refém da colonialidade ambiental. O desafio é rom-
per essa racionalidade, não apenas reformá-la.

Maldonado-Torres (2008) sustenta que a decolonia-
lidade é antes de tudo um gesto ético: a disposição 
de escutar o outro. No contexto amazônico, essa 
ética significa escutar a floresta e os povos que nela 
vivem. A descolonização ambiental implica deslocar 
o centro do saber e reconhecer que a ciência, sozi-
nha, não é capaz de compreender a complexidade 
das interdependências ecológicas. Romper a colo-
nialidade ambiental, portanto, não é apenas corrigir 
políticas, mas reinventar as bases epistemológicas 
da vida comum – e é nesse horizonte que emergem 
os saberes tradicionais e as epistemologias da flo-
resta, como caminhos possíveis para a reconstrução 
das relações entre humanidade e natureza.

2. Saberes Tradicionais e Epistemologias 
da Floresta

Se a colonialidade ambiental se sustenta pela nega-
ção de outros modos de existência, os saberes tra-
dicionais amazônicos constituem sua mais profunda 
contestação. Longe de se limitarem a práticas empí-
ricas, esses saberes configuram uma ontologia rela-
cional, em que a vida é tecida pela interdependên-
cia entre humanos, animais, rios e espíritos. Neles, 
conhecer não é dominar, mas participar – é estar no 
mundo em reciprocidade. Essa perspectiva rompe 
com a lógica moderna que separa sujeito e objeto e 
propõe uma ética do cuidado e da corresponsabili-
dade com todas as formas de vida.

Catherine Walsh (2009) denomina essa racionali-
dade de epistemologia do lugar: um modo de conhe-
cer enraizado na experiência, na memória e na 
ancestralidade. O saber é coletivo e situado, trans-
mitido pela oralidade, pela prática e pelo ritual. Essa 
epistemologia desafia a pretensa universalidade 
da ciência moderna e revela que o conhecimento 

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nasce da convivência com o território. Cada planta, 
rio ou ser é portador de história, e aprender é tam-
bém preservar. O território é, simultaneamente, livro, 
escola e arquivo da vida.

A pesquisa de Levis et al. (2024), publicada na 
Science, confirma empiricamente o que as comu-
nidades amazônicas sempre souberam: os territó-
rios sob gestão indígena são os que apresentam 
melhores índices de conservação. A indigenização 
da ciência da conservação, proposta pelos autores, 
representa um reconhecimento tardio de que a flo-
resta é mantida viva não apenas por políticas públi-
cas, mas por práticas ancestrais de manejo e espi-
ritualidade. Esse diálogo entre ciência e tradição, 
quando respeitoso, amplia a compreensão da sus-
tentabilidade e aponta para uma ecologia política 
mais justa.

Rosa Acevedo Marin (2014) alerta, contudo, que o 
reconhecimento dos saberes tradicionais não pode 
ser simbólico. A retórica que exalta a “sabedoria 
ancestral” sem garantir autonomia política e epistê-
mica apenas perpetua a subordinação. O verdadeiro 
reconhecimento exige redistribuir poder decisório 
e assegurar o direito das comunidades a definir os 
rumos de seus territórios. Sem isso, o saber tradicio-
nal torna-se adereço discursivo, esvaziado de sua 
força transformadora.

A colonialidade do gênero, conforme Lugones 
(2010), aprofunda essa análise ao demonstrar como 
a colonização impôs um modelo patriarcal e racia-
lizado de sociedade, desestruturando formas de 
organização que reconheciam o papel central das 
mulheres na transmissão de saberes e no cuidado 
da terra. As mulheres amazônicas – guardiãs de 
sementes, rezas e medicinas – encarnam epistemo-
logias do cuidado que resistem à mercantilização da 
vida. Sua atuação cotidiana revela que a sustentabili-

dade é também relação de afeto e responsabilidade, 
não apenas técnica de gestão ambiental.

Os saberes da floresta são, portanto, plurais e dinâ-
micos. Adaptam-se, reinventam-se e resistem em 
meio a transformações. A oralidade, as danças, os 
rituais e as festas são meios de transmissão inter-
geracional que atualizam a memória coletiva. Como 
destaca Acevedo Marin (2019), o território é memó-
ria viva – nele se entrelaçam história, espiritualidade 
e política. A destruição ambiental é, assim, também 
destruição da memória e da identidade. Proteger 
a floresta é preservar a possibilidade de continuar 
lembrando.

Essas epistemologias articulam dimensões mate-
riais e espirituais de forma indissociável. Nas práticas 
cotidianas, a caça, o plantio e o uso de plantas medi-
cinais seguem códigos éticos de reciprocidade. A 
natureza é tratada como parente, não como recurso. 
Essa integralidade desafia a fragmentação típica da 
racionalidade moderna, que isola o econômico do 
ético, o científico do espiritual. Escobar (2016) identi-
fica nesse modo de existência uma alternativa onto-
lógica: o pluriverso, um mundo de mundos, onde 
diferentes racionalidades coexistem sem hierarquia.

O pluriverso amazônico é real e cotidiano. Nas 
aldeias e comunidades, a vida se organiza segundo 
princípios de solidariedade e partilha. O bem viver 
(sumak kawsay, teko porã) não é ideal utópico, mas 
ética prática de convivência. Produzir é regenerar; 
cuidar é resistir. Esse horizonte civilizatório oferece 
uma resposta concreta à crise climática: a sustenta-
bilidade como modo de vida, e não como setor eco-
nômico. Os povos da floresta, nesse sentido, não 
representam o passado, mas um futuro possível que 
o mundo moderno insiste em não enxergar.

Entretanto, a incorporação desses saberes às are-
nas políticas globais permanece marginal. As COPs 

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e fóruns internacionais reconhecem formalmente a 
importância dos povos tradicionais, mas raramente 
lhes concedem espaço decisório. Suas vozes são 
ouvidas como testemunhos, não como teoria. Wal-
ter Mignolo chama isso de colonialidade do saber: o 
controle geopolítico das condições de enunciação. 
A Amazônia fala, mas é traduzida por outros. Essa 
assimetria explica por que as epistemologias da flo-
resta continuam ausentes da formulação de políticas 
climáticas globais.

A linguagem revela o abismo entre os mundos. Ter-
mos como “meio ambiente” ou “recurso natural” não 
possuem equivalentes diretos em muitas línguas 
indígenas, porque nelas o território não é objeto, mas 
sujeito de relação. O verbo central não é “ter”, mas 
“ser com”. Essa diferença ontológica impede que as 
políticas convencionais capturem a complexidade 
dos modos de vida amazônicos. Traduzir a floresta 
em linguagem de mercado ou de gestão é reduzi-la 
a abstração. Conhecer, para os povos da floresta, é 
coabitar – e essa coabitação é também uma forma 
de ciência.

A sofisticação ecológica das práticas tradicionais 
é cada vez mais reconhecida. O manejo de espé-
cies consorciadas, o uso controlado do fogo e o cul-
tivo de roças em ciclos de descanso revelam uma 
racionalidade sustentável que antecipa conceitos 
modernos de agroecologia. O mesmo ocorre com o 
uso medicinal das plantas, que articula observação 
empírica e cosmologia. Esses sistemas de conheci-
mento provam que há múltiplas ciências possíveis e 
que a floresta é laboratório de invenção há séculos.

As epistemologias da floresta também são estraté-
gias de resistência política. As comunidades utilizam 
o mapeamento participativo, a autodemarcação e 
os protocolos de consulta como formas de afirmar 
autonomia e proteger seus saberes. Essa apropria-
ção crítica das ferramentas modernas demonstra 

que a decolonialidade não é rejeição ao diálogo, mas 
exigência de simetria. A tradução intercultural, pro-
posta por Walsh, pressupõe um encontro horizontal 
entre racionalidades, sem hierarquização. O obje-
tivo não é integrar os saberes tradicionais à ciência 
dominante, mas transformar o próprio sistema de 
conhecimento.

Nessas cosmologias, os rios, ventos e animais pos-
suem agência e linguagem. Essa concepção ante-
cipa o debate contemporâneo sobre os direitos 
da natureza e desafia o antropocentrismo jurídico 
ocidental. A floresta pensa, sente e comunica; o 
humano é apenas parte de sua rede de existência. 
Reconhecer essa agência não é metáfora poética, 
mas base ontológica de uma ética ambiental radical. 
É essa ecologia da relação que sustenta a resistên-
cia dos povos amazônicos e redefine o sentido da 
sustentabilidade.

Esses saberes, entretanto, enfrentam ameaças 
internas e externas. A pressão econômica, o des-
matamento e a violência territorial dificultam a trans-
missão intergeracional, enquanto o avanço tecno-
lógico altera as formas de memória e comunicação. 
Apesar disso, a juventude indígena e quilombola tem 
recriado estratégias de resistência, unindo tradição 
e inovação. A decolonização, nesse contexto, é pro-
cesso em movimento: um gesto contínuo de reexis-
tência.

Os saberes tradicionais e as epistemologias da flo-
resta, ao proporem outras formas de conhecer e 
coexistir, ampliam o horizonte da justiça climática. 
Eles demonstram que enfrentar a crise ambiental 
exige mais do que reduzir emissões: requer recons-
truir o vínculo espiritual e político entre humanos e 
natureza. A Amazônia, nesse sentido, é não apenas 
território de luta, mas território de pensamento – e é 
justamente nesse ponto de inflexão que se insere 
a reflexão sobre a COP-30, evento que colocará a 

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região sob o olhar do mundo, abrindo espaço para 
o confronto entre visibilidade simbólica e protago-
nismo real.

3. COP-30: entre a visibilidade simbólica 
e o protagonismo amazônico

A realização da COP-30 em Belém do Pará repre-
senta mais do que um evento diplomático: é um 
acontecimento histórico carregado de significados 
políticos, simbólicos e epistêmicos. Pela primeira 
vez, a Amazônia – frequentemente tratada como 
palco, objeto ou tema de debate – se torna o espaço 
concreto de uma conferência global sobre o clima. 
O deslocamento geográfico do centro decisório, 
ainda que momentâneo, tem o potencial de revelar 
as contradições de uma governança ambiental que, 
até aqui, pouco dialogou com os territórios onde o 
colapso climático é vivido cotidianamente. Nesse 
sentido, a COP-30 não é apenas uma reunião de 
líderes, mas um espelho: reflete o abismo entre a visi-
bilidade da Amazônia no discurso internacional e o 
protagonismo real de seus povos.

Historicamente, os fóruns multilaterais sobre o clima 
foram construídos a partir de uma racionalidade tec-
nocrática, orientada pela lógica dos Estados e do 
capital. Desde a Rio-92, o vocabulário dominante 
tem girado em torno de “compensações”, “neutrali-
dades” e “mecanismos de mercado”. Pouco se avan-
çou no reconhecimento de que a crise climática é 
também uma crise civilizatória e que sua superação 
exige transformação de valores e epistemologias. 
Ao trazer a COP para a Amazônia, o Brasil assume 
o desafio de confrontar o discurso com a realidade – 
de traduzir o simbolismo de um território em experi-
ência concreta de justiça climática.

A escolha de Belém, cidade marcada por desigual-
dades históricas e por uma presença intensa de 
povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, coloca 

em evidência a necessidade de repensar o papel da 
Amazônia no sistema-mundo. Não se trata apenas 
de acolher chefes de Estado e delegações estran-
geiras, mas de escutar os sujeitos que há séculos 
sustentam a floresta viva. Como argumenta Rosa 
Acevedo Marin (2020), a Amazônia não é perife-
ria da política global, mas o centro de uma disputa 
ontológica sobre o que significa habitar o planeta. A 
COP-30, portanto, pode se tornar um ponto de infle-
xão – se conseguir romper o padrão histórico de 
exclusão que transforma os povos amazônicos em 
meros espectadores de decisões que incidem dire-
tamente sobre suas vidas.

A tensão entre visibilidade e protagonismo atravessa 
todo o processo preparatório. Multiplicam-se even-
tos, fóruns e encontros que anunciam o “protago-
nismo amazônico”, mas é preciso perguntar: quem 
fala em nome da Amazônia? Quem define as pau-
tas e media os discursos? O risco é que o evento se 
torne uma vitrine da diversidade, sem alterar a estru-
tura que perpetua a invisibilidade política dos sujei-
tos coletivos. A presença de lideranças indígenas e 
de organizações da sociedade civil, ainda que fun-
damental, não garante participação efetiva se o for-
mato de negociação continuar baseado em dinâ-
micas assimétricas. A visibilidade pode se tornar 
armadilha quando não acompanhada de redistribui-
ção do poder de decisão.

A COP-30 carrega, portanto, uma ambivalência. Por 
um lado, é oportunidade de afirmação identitária e 
de reconhecimento internacional do papel da Ama-
zônia na agenda climática. Por outro, corre o risco de 
reproduzir a colonialidade ambiental sob novas nar-
rativas. A “Amazônia em evidência” pode ser ape-
nas uma atualização da Amazônia como espetáculo. 
Esse perigo se manifesta na crescente apropriação 
estética e simbólica da floresta – em slogans, cam-
panhas e políticas que evocam a natureza como 

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marca, não como sujeito. A espetacularização da 
Amazônia, denunciada por Acevedo Marin (2010), 
transforma o território em vitrine de sustentabilidade, 
enquanto suas comunidades continuam submetidas 
à precarização e à violência.

A decolonialidade, nesse contexto, exige desmon-
tar a estética da representação e recolocar a Ama-
zônia como lugar de enunciação. Significa deslocar 
o olhar: não é o mundo que observa a Amazônia, é a 
Amazônia que observa o mundo. Esse gesto implica 
reconhecer que há epistemologias, práticas e resis-
tências que antecedem e ultrapassam as dinâmicas 
institucionais da COP. Os povos tradicionais não pre-
cisam ser “incluídos” – eles já estão; o que falta é que 
suas vozes sejam escutadas como saber político 
e não como folclore discursivo. Quando se fala em 
protagonismo amazônico, portanto, fala-se de poder 
epistêmico e de autodeterminação narrativa.

Nesse sentido, a realização da COP-30 no Pará 
coloca o Estado brasileiro diante de uma encruzi-
lhada. Ou o país reafirma o velho papel de media-
dor entre o Norte global e o Sul explorado, adotando 
uma postura conciliatória que mantém o status quo, 
ou assume uma posição de vanguarda decolonial, 
propondo uma governança ambiental que parta dos 
territórios e reconheça os povos da floresta como 
sujeitos políticos de direito internacional. A diferença 
entre um e outro caminho reside na capacidade de 
o Estado abandonar a lógica da tutela e adotar a 
lógica da escuta.

A COP-30 também revela as contradições inter-
nas da política ambiental brasileira. Por um lado, há 
o esforço de reconstruir credibilidade internacio-
nal após anos de retrocessos. Por outro, persistem 
políticas internas que reforçam a dependência do 
modelo extrativista, como a expansão da mineração 
e a flexibilização do licenciamento ambiental. Essa 
duplicidade evidencia o desafio de alinhar o discurso 

global à prática local. A justiça climática não pode 
ser apenas agenda diplomática; deve ser projeto de 
país, construído com base na equidade territorial e 
na reparação histórica.

A escolha de Belém como sede traz ainda uma 
dimensão simbólica singular. A cidade, nascida da 
ocupação colonial e marcada por processos de 
exclusão social, é hoje território de resistências múl-
tiplas. O encontro entre tradição e modernidade, 
entre o urbano e o florestal, faz de Belém um micro-
cosmo das tensões que atravessam a Amazônia. 
A presença das águas, dos rios e das marés con-
fere ao evento uma poética inevitável: é como se a 
cidade, em sua geografia líquida, ensinasse que o 
diálogo precisa ser fluido, que o encontro só é possí-
vel na escuta. Realizar a COP nesse espaço é reco-
nhecer que a Amazônia não é apenas cenário, mas 
sujeito de linguagem – e que sua fala se faz em mui-
tas vozes.

Outro aspecto central é a disputa sobre o legado da 
conferência. A experiência de eventos anteriores 
mostra que o êxito simbólico nem sempre se traduz 
em resultados concretos. A COP-30 será avaliada 
não apenas pelo número de acordos assinados, 
mas pela capacidade de gerar mudanças estrutu-
rais nas formas de governar e imaginar o ambiente. 
A visibilidade internacional precisa se converter 
em fortalecimento local, em políticas permanentes 
de proteção territorial e valorização cultural. Caso 
contrário, a conferência corre o risco de reprodu-
zir a lógica do “evento sustentável” – um espetáculo 
verde que deixa poucas raízes.

O protagonismo amazônico, portanto, deve ser 
compreendido como processo e não como conces-
são. Ele nasce da longa trajetória de lutas e de resis-
tências dos povos e movimentos que habitam o ter-
ritório. A COP apenas amplifica – ou silencia – essa 
trajetória. Dar visibilidade a essas vozes significa 

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reconhecer que a Amazônia pensa, propõe e produz 
soluções próprias. É nessa direção que o conceito 
de epistemologias da floresta, desenvolvido no capí-
tulo anterior, se torna ferramenta política: ele desloca 
o eixo da fala e coloca o saber localizado no centro 
da governança global.

Há, contudo, um desafio adicional: transformar o 
reconhecimento em corresponsabilidade. O dis-
curso internacional tende a tratar a Amazônia como 
bem comum da humanidade, o que pode encobrir 
novas formas de ingerência e de dependência. O 
protagonismo, ao contrário, exige soberania com-
partilhada – uma soberania que reconheça os direi-
tos dos povos originários e tradicionais como condi-
ção de qualquer pacto climático legítimo. Sem essa 
base, qualquer compromisso se reduzirá a retórica.

O futuro da Amazônia e da própria COP dependerá 
da capacidade de construir pontes entre a diploma-
cia global e as práticas locais. Isso implica traduzir 
os saberes tradicionais em parâmetros de política 
pública, mas sem reduzi-los a instrumentos técnicos. 
A floresta não cabe nos relatórios de carbono; ela 
se expressa em redes de vida e de afetos que desa-
fiam as categorias do cálculo. Uma COP amazônica 
precisa ser, acima de tudo, um exercício de tradução 
ética – entre mundos, linguagens e temporalidades.

A presença de lideranças indígenas, quilombolas, de 
mulheres e juventudes na construção dos debates 
pode marcar um ponto de virada se acompanhada 
de mecanismos institucionais reais de escuta e par-
ticipação. A COP em Belém será verdadeiramente 
amazônica se aprender com a Amazônia – se incor-
porar o tempo lento das marés, a circularidade dos 
rituais, o diálogo entre as diferenças. Não se trata de 
adaptar o território ao evento, mas de permitir que 
o evento se adapte ao território. Essa inversão é o 
gesto mais radical de decolonização possível.

A COP-30, assim, pode ser lembrada como cele-
bração simbólica ou como ruptura paradigmática. A 
diferença residirá no modo como a Amazônia será 
tratada: como cenário de discursos ou como sujeito 
político. Se o evento for capaz de reconhecer as 
epistemologias da floresta como horizonte de recon-
figuração das governanças ambientais, terá cum-
prido sua missão histórica. Caso contrário, será ape-
nas mais uma conferência sobre o clima, realizada 
em um lugar onde o clima sempre foi, antes de tudo, 
questão de vida e de resistência. E é nessa encruzi-
lhada – entre o espetáculo e o protagonismo, entre a 
promessa e a escuta – que se abre o caminho para 
pensar a justiça climática como reparação histórica, 
onde o futuro da Amazônia se entrelaça ao destino 
do planeta.

Considerações Finais

Pensar a Amazônia a partir da decolonialidade 
ambiental é revisitar o próprio sentido de huma-
nidade. O que chamamos de crise climática não 
é apenas o desequilíbrio dos ecossistemas, mas 
o colapso de uma racionalidade que separou o 
humano da natureza e transformou a vida em 
recurso. A emergência climática revela, assim, a 
falência de uma ontologia construída sobre a domi-
nação: o mundo moderno erigiu-se negando outros 
mundos. Romper com essa herança exige mais do 
que soluções técnicas; requer deslocamento ético 
e epistemológico capaz de restituir à floresta e aos 
seus povos o direito de existir e conhecer segundo 
suas próprias lógicas.

Como discutido neste trabalho, a colonialidade 
ambiental sustenta-se pela continuidade do modelo 
extrativista e pela subordinação de epistemologias 
locais às categorias ocidentais. Mesmo travestido 
de “sustentabilidade”, o projeto moderno ainda orga-
niza o território amazônico sob o paradigma da mer-
cantilização. O verde tornou-se marca, e não vínculo. 

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A retórica da preservação, quando descolada da 
justiça social, reforça o mesmo sistema que produz 
destruição. Por isso, a crítica à colonialidade é, antes 
de tudo, uma crítica à seletividade da própria ideia de 
progresso.

Diante desse cenário, os saberes tradicionais e as 
epistemologias da floresta emergem como hori-
zonte de reexistência. Longe de representarem res-
quícios de um passado arcaico, são expressões de 
racionalidades vivas, fundadas na reciprocidade e 
na interdependência. Nesses modos de existência, 
a vida é rede e o conhecimento nasce do encontro 
– entre humanos, rios, ventos e espíritos. Aprender é 
também cuidar, e cuidar é um gesto de sobrevivên-
cia coletiva. Nas palavras de Catherine Walsh, trata-
-se de uma epistemologia do lugar: um modo de sen-
tir-pensar que nasce da relação e não da abstração. 
Essa perspectiva revela que sustentabilidade e espi-
ritualidade são faces de uma mesma ética – a ética 
do cuidado.

As evidências empíricas confirmam o que a sabe-
doria ancestral sempre sustentou. O estudo de Levis 
et al. (2024) demonstra que os territórios sob gestão 
indígena são os mais eficazes na conservação da 
floresta. Essa constatação não apenas reconhece a 
competência ecológica dos povos amazônicos, mas 
desmonta o mito de que o saber científico é único 
detentor da verdade. A ciência começa a compre-
ender que a floresta também pensa – e que pensar 
com ela é condição de sobrevivência planetária.

Mas esse reconhecimento precisa ir além do dis-
curso. Como alerta Rosa Acevedo Marin, o uso sim-
bólico da tradição, sem redistribuição efetiva de 
poder, transforma o saber tradicional em adorno dis-
cursivo. O desafio é político e epistêmico: garantir 
que as vozes da floresta participem da formulação 
de políticas e não sejam apenas citadas como ilus-
tração. A decolonialidade não se realiza por convite; 

concretiza-se na escuta e na partilha do poder de 
decidir sobre o próprio território.

A realização da COP-30 em Belém insere-se justa-
mente nesse ponto de inflexão. Pela primeira vez, o 
centro da governança climática desloca-se geogra-
ficamente para o coração da Amazônia – mas resta 
saber se esse deslocamento será apenas simbólico 
ou transformador. A conferência pode ser marco his-
tórico de reconfiguração das relações entre o Norte 
e o Sul, ou apenas mais um espetáculo verde de visi-
bilidade sem protagonismo. A diferença reside na 
capacidade de transformar a presença da Amazônia 
de tema em sujeito. O mundo precisa compreender 
que aqui não se trata apenas de carbono e metas, 
mas de vidas, cosmologias e futuros.

O protagonismo amazônico, contudo, não é conces-
são internacional nem gesto diplomático: é o resul-
tado de séculos de resistência. Ele se manifesta na 
defesa dos territórios, nas práticas de manejo, na 
transmissão dos saberes e nas epistemologias que 
desafiam a colonialidade do saber. As lideranças 
indígenas, quilombolas, ribeirinhas e femininas não 
pedem espaço; constroem-no. Sua atuação eviden-
cia que a Amazônia é também lugar de pensamento 
e de formulação política. A floresta fala – e o mundo 
precisa aprender a ouvir.

A justiça climática, nesse horizonte, é inseparável da 
justiça histórica. Não basta compensar emissões: 
é preciso reparar violências. A destruição ambien-
tal é continuidade da escravidão, da expropriação e 
do racismo estrutural que fundaram a modernidade. 
Reparar significa reconstruir vínculos – entre memó-
ria e território, entre saber e vida, entre humanidade 
e natureza. É nesse sentido que a Amazônia se con-
verte em espelho do mundo: nela se revelam tanto 
as feridas do passado quanto as possibilidades de 
futuro.

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A COP-30 pode representar o início de um novo 
pacto civilizatório, se for capaz de transformar visibili-
dade em compromisso e reconhecimento em redis-
tribuição. Mas isso depende de um gesto essencial: 
permitir que a Amazônia fale em sua própria língua, 
com sua própria cadência, com seus próprios tem-
pos. Uma COP amazônica deve ser mais que confe-
rência; deve ser exercício de escuta. E a escuta, aqui, 
é ato político e espiritual. É aprender a desacelerar 
para ouvir o que o território ensina – que a vida só se 
sustenta quando partilhada.

Se a colonialidade ambiental expressa o passado 
que persiste, as epistemologias da floresta anun-
ciam o futuro que insiste. A Amazônia permanece 
como fronteira simbólica do mundo, mas também 
como promessa de outro caminho. Entre o espetá-
culo e a escuta, entre o cálculo e o cuidado, entre a 
mercadoria e o sagrado, desenha-se a escolha que 
definirá o século: continuar repetindo a lógica que 
destrói ou aprender com a floresta a arte de perma-
necer vivo. A terra, afinal, não pede salvação – pede 
respeito. E é nesse gesto de reconhecimento, nesse 
reencontro entre o saber e o ser, que talvez possa-
mos enfim compreender que cuidar da Amazônia é 
cuidar de nós mesmos.

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