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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E QUESTÕES CLIMÁTICAS

O IMPACTO AMBIENTAL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

 14

Resumo

A Inteligência Artificial (IA) é geralmente definida 
como um campo da ciência da computação voltado 
à criação de sistemas capazes de simular aspec-
tos do pensamento humano. Contudo, sua imagem 
popular – associada à “nuvem” e à autonomia algorít-
mica – mascara sua natureza profundamente mate-
rial. O avanço recente da IA não decorre apenas de 
inovações conceituais, mas da combinação entre o 
acesso a grandes volumes de dados (Big Data) e o 

desenvolvimento de hardware de alta performance, 
como GPUs e TPUs, que viabilizam o

 deep learning

.

Assim, uma definição crítica de IA deve ir além de 
suas funções e incluir sua base física – a infraestru-
tura de data centers que consome enormes quan-
tidades de energia, água e minerais. A metáfora 
da “nuvem” esconde esse sistema industrial, com-
posto por servidores, cabos e sistemas de refrige-
ração. A IA, portanto, deve ser entendida como um 
sistema sociotécnico de larga escala, cuja existên-
cia depende de um alto custo ambiental. Compreen-

Adriano de Assis Ferreira

Possui graduação em Direito pela Universidade de São Paulo (1999), mestrado em Direito Político e Econômico 
pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2004), mestrado em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) 
pela Universidade de São Paulo (2004), doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de 
São Paulo (2012), doutorado em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - 
USP (2010) e doutorado em direito pela Faculdade de Direito da USP (2015). Atualmente é coordenador geral da 
Escola Superior de Advocacia da OAB Seção SP, coordenador do curso de direito da Faculdade Lumina, coorde-
nador do curso de direito da Faculdade Unida de São Paulo, diretor de regulatório - Galícia Educação e professor 
associado da Universidade São Judas Tadeu.

 

https://orcid.org/0009-0008-0549-8190

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der seus impactos requer desmistificar sua aparente 
imaterialidade e reconhecer a infraestrutura que a 
sustenta.

Palavras-chave:

 Inteligência artificial, Sistemas 

sociotécnico, Impacto ambiental.

Abstract

Artificial Intelligence (AI) is generally defined as a 
field of computer science aimed at creating systems 
capable of simulating aspects of human thought. 
However, its popular image—associated with the 
“cloud” and algorithmic autonomy—masks its deeply 
material nature. The recent advancement of AI stems 
not only from conceptual innovations but from the 
combination of access to large volumes of data (Big 
Data) and the development of high-performance 
hardware, such as GPUs and TPUs, which enable 
deep learning. Thus, a critical definition of AI must go 
beyond its functions and include its physical base—
the data center infrastructure that consumes enor-
mous quantities of energy, water, and minerals. The 
“cloud” metaphor hides this industrial system, com-
posed of servers, cables, and cooling systems. AI, 
therefore, must be understood as a large-scale soci-
otechnical system whose existence depends on a 
high environmental cost. Understanding its impacts 
requires demystifying its apparent immateriality and 
recognizing the infrastructure that sustains it.

Keywords:

 Artificial intelligence, Sociotechnical 

systems, Environmental impact.

Recebido em:

 Setembro de 2025

Aprovado em:

 Novembro de 2025

1. O que é inteligência artificial

1.1 Definição de IA: da  Abstração  Funcio-

nal à Realidade Material

A Inteligência Artificial (IA) é comumente definida em 
termos funcionais: um campo abrangente da ciên-
cia da computação dedicado a criar sistemas que 
podem processar informações e simular facetas do 
pensamento humano. Em sua concepção popular 
e midiática, a IA evoca imagens de cognição desen-
carnada, de algoritmos que aprendem, raciocinam, 
preveem e criam de maneira autônoma, habitando 
um espaço etéreo frequentemente referido como “a 
nuvem” (cloud computing). Essa percepção é refor-
çada pela natureza de suas aplicações mais visí-
veis, como o Processamento de Linguagem Natu-
ral (PLN) em chatbots ou a visão computacional em 
diagnósticos médicos, que parecem ser puramente 
lógicos ou digitais.

Embora formas rudimentares de IA existam desde 
a década de 1950, o “ritmo alucinante” de sua evo-
lução recente não se deve a um salto puramente 
conceitual ou algorítmico. Pelo contrário, a explo-
são contemporânea da IA é um fenômeno decidida-
mente material, ancorado em dois desenvolvimentos 
físicos que alteraram fundamentalmente sua viabili-
dade e escala. O primeiro é a disponibilidade de con-
juntos massivos de dados (Big Data), o “novo petró-
leo” que serve como matéria-prima indispensável 
para o treinamento de modelos. O segundo, e talvez 
mais determinante, é o avanço exponencial na capa-
cidade de computação, especificamente o desen-
volvimento de Unidades de Processamento Grá-
fico (GPUs) e hardware especializado (como TPUs) 
capazes de realizar os trilhões de cálculos paralelos 
necessários para o

 deep learning

.

Portanto, uma definição de IA para o século XXI 
que se pretenda crítica e analítica não pode limitar-

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-se à sua função (o que ela faz). Ela deve, imperati-
vamente, incluir sua fundação (o que ela é e o que 
ela consome). A metáfora da “nuvem” é, neste con-
texto, uma falácia tecnológica; ela obscurece delibe-
radamente a infraestrutura física massiva da qual a 
IA depende. A “nuvem” não é etérea; ela é um com-
plexo industrial composto por milhões de servidores, 
cabos submarinos, comutadores de rede e sistemas 
de refrigeração, todos alojados em edifícios físicos 
chamados 

data centers

.

Esta infraestrutura física não é um detalhe téc-
nico, mas a própria condição de existência da IA 
moderna. A escala dessa base material é o que 
define a tecnologia atual: para que um modelo de lin-
guagem execute uma tarefa aparentemente simples, 
como gerar uma resposta, ele mobiliza uma cadeia 
de recursos que se estende desde os minerais crí-
ticos (como cobre, lítio e terras raras) extraídos para 
construir seus chips, passando pelos gigawatts de 
eletricidade (muitas vezes de origem fóssil) para ali-
mentar os servidores, até os milhões de litros de 
água doce evaporados para seu resfriamento.

Neste artigo, portanto, a Inteligência Artificial é vista 
não apenas como uma ferramenta cognitiva, mas 
como um sistema sociotécnico de larga escala, cuja 
operação é indissociável de seu imenso custo meta-
bólico em energia, água e minerais. Compreender 
os impactos ambientais da IA exige, primeiramente, 
desmistificar sua suposta imaterialidade e investigar 
a estrutura física complexa e massiva que a sustenta.

1.2 O Salto Funcional: Da Automação Físi-

ca ao Processamento Cognitivo

Para compreender a profundidade da transforma-
ção impulsionada pela Inteligência Artificial, é cru-
cial diferenciá-la das revoluções tecnológicas que 
a precederam. A história da automação, desde a 
Revolução Industrial, foi, em essência, a história da 

automação física.

 Este paradigma centrou-se na 

mecanização do trabalho braçal e na multiplica-
ção da força muscular humana ou animal. O motor a 
vapor, o tear mecânico e, posteriormente, a linha de 
montagem de Henry Ford são exemplos clássicos. 
Essas inovações substituíram o esforço físico: uma 
escavadeira realizava o trabalho de dezenas de ope-
rários; um trator arava o campo em uma fração do 
tempo de uma junta de bois. O domínio dessa auto-
mação era a fábrica, a fazenda, o canteiro de obras. 
Seu objetivo era mover, transformar ou montar a 
matéria.

O “salto funcional” que a IA contemporânea repre-
senta é uma ruptura radical com esse paradigma. A 
IA não automatiza primariamente a força física; ela 
automatiza, em escala industrial, o 

processamento 

cognitivo.

 Seu domínio de atuação deslocou-se 

do chão da fábrica para tarefas antes consideradas 
exclusividade do intelecto humano: análise, inter-
pretação, predição e criação. A IA não é meramente 
uma calculadora mais rápida – computadores já 
automatizavam a aritmética. A IA moderna, baseada 
em deep learning e redes neurais, automatiza a pró-
pria 

inferência

.

Essa nova capacidade funcional se manifesta em 
aplicações que estão redefinindo setores inteiros. 
O Processamento de Linguagem Natural (PLN), por 
exemplo, não se limita a registrar palavras; ele per-
mite que sistemas como o ChatGPT leiam, compre-
endam, resumam, traduzam e gerem textos com 
coerência e complexidade, automatizando funções 
de redatores, tradutores ou analistas de documen-
tos. Similarmente, a visão computacional vai além da 
fotografia; ela confere a capacidade de “ver” e inter-
pretar o mundo visual, permitindo que uma máquina 
diagnostique uma anomalia em uma chapa de radio-
logia com a precisão de um médico experiente, ou 

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que um veículo “leia” o ambiente e tome decisões de 
direção.

Mais profundamente, o grande poder da IA reside 
na sua habilidade de “detectar padrões nos dados, 
como anomalias e semelhanças, e usar o conheci-
mento histórico para prever com precisão os resul-
tados futuros” (PNUMA, 2024). Esta é a essência do 
trabalho analítico: um sistema de IA pode monitorar 
emissões de metano em tempo real, prever o com-
portamento do mercado de ações ou otimizar o fluxo 
de uma rede elétrica inteira.

É essa invasão da esfera cognitiva que posiciona 
a IA como uma “tecnologia emergente com poten-
cial de transformar inúmeros setores da sociedade” 
(Uninter, 2024). Ela é, de fato, uma ferramenta “ines-
timável” para inúmeras aplicações. Contudo – e este 
é o ponto nevrálgico para este artigo – essa pode-
rosa capacidade funcional não é abstrata. O “salto 
cognitivo” só é possível porque é sustentado por 
um “salto” computacional de ordem exponencial. A 
automação do pensamento, ao contrário da automa-
ção do braço, exige uma infraestrutura material de 
processamento de dados de escala inédita, como 
será detalhado a seguir.

1.3 A Escala Material da IA: A Necessidade 

de Treinamento e Inferência

O salto funcional para o processamento cognitivo, 
descrito anteriormente, não é gratuito. A capaci-
dade de um modelo de IA de “pensar” – de analisar, 
prever e gerar linguagem – é um processo compu-
tacionalmente exaustivo. Diferente das tecnologias 
convencionais, como o envio de e-mails ou buscas 
simples, as “redes neurais complexas” da IA exigem 
a movimentação de “vastos conjuntos de dados 
entre milhares de componentes físicos” (Staccia-
rini & Gonçalves, 2025), resultando em um consumo 
energético bem mais elevado.

Esse “custo energético enorme” (Vieira, 2025) que 
define a escala material da IA deriva de duas fases 
operacionais distintas, ambas com demandas inten-
sivas de recursos: o 

Treinamento

 e a 

Inferência

.

Treinamento

 é a fase de preparação, o processo 

industrial de “ensinar” o cérebro artificial. Nesta 
etapa, os modelos são alimentados com “conjun-
tos massivos de dados” (Vieira, 2025), forçando-
-os a processar essas informações “repetidamente 
até que o sistema consiga aprender” a reconhecer 
padrões e prever respostas (Vieira, 2025). Este é, de 
longe, o processo “em que mais se consome eletri-
cidade” (Vieira, 2025). A indústria opera sob o para-
digma de que “quanto maior o modelo, melhor o 
resultado” (Vieira, 2025), levando a uma escalada no 
tamanho e, consequentemente, no custo energético. 
Modelos de ponta não cabem em um único servidor; 
eles exigem “vários servidores equipados com múl-
tiplas placas gráficas, que funcionam em paralelo 
durante semanas ou até meses” (Vieira, 2025) para 
completar um único ciclo de treinamento.

Inferência

, por sua vez, é “o momento da prá-

tica” (Vieira, 2025). É o que ocorre quando o usuário 
final faz uma pergunta e a IA, já treinada, gera uma 
resposta. Embora uma única inferência consuma 
menos energia que o colossal processo de treina-
mento, seu impacto ambiental reside no “grande 
volume de interações” (Vieira, 2025). Ferramentas 
como o ChatGPT, por exemplo, processam “mais de 
2,5 bilhões de prompts por dia” (Vieira, 2025). Essa 
demanda global exige que “milhares de servidores 
precisem estar sempre ativos, em funcionamento 
contínuo” (Vieira, 2025), estabelecendo um patamar 
de consumo de energia e recursos que é vasto, per-
manente e crescente.

Portanto, a escala material da IA é definida por este 
ciclo duplo: picos de demanda energética extrema 
para o 

treinamento

 de modelos cada vez maiores, 

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combinados com uma base de consumo contínua 
e massiva para a 

inferência

 em volume global. Para 

que esses dois processos possam ocorrer fisica-
mente, é necessária uma infraestrutura industrial 
específica. Esta infraestrutura, como veremos, não é 
a “nuvem” abstrata, mas o 

data center

.

2. De onde vem a resposta da IA?

2.1. Desmistificação da “Nuvem” e a Estru-

tura Física Complexa

Os processos de treinamento e inferência, que defi-
nem a escala material da IA não ocorrem em uma 
dimensão abstrata. Contudo, o léxico popular e cor-
porativo da tecnologia é dominado por termos que 
sugerem o oposto: “nuvem” (cloud), “big data” e “vir-
tualização” (Stacciarini & Gonçalves, 2025). Essas 
metáforas são funcionalmente convenientes, mas 
analiticamente perigosas. Elas constituem uma “falá-
cia tecnológica” que obscurece a base industrial da 
economia digital, desassociando a função cognitiva 
da IA de seu custo metabólico.

A resposta a uma simples pergunta feita a um cha-
tbot não vem do éter; ela vem de um local físico, ter-
restre e industrial. O que chamamos de “nuvem” é, na 
realidade, o 

data center

.

O data center é a manifestação física e concreta da 
nuvem; ele é o “cérebro” da internet (Mota, 2025), 
funcionando como um “computador gigante de alta 
performance” (Mota, 2025). Essas instalações não 
são conceitos, mas edifícios reais. São “imensas 
bibliotecas de computadores” (Borges, 2025), fre-
quentemente descritas como “imensos galpões cli-
matizados” (Vicente, 2025) que abrigam “corredores 
cheios de armários de ferros com pilhas de servido-
res” (Mota, 2025). Esses servidores, por sua vez, são 
o hardware que executa os trilhões de cálculos do 
treinamento e da inferência.

É esta a “estrutura física complexa e massiva” (Stac-
ciarini & Gonçalves, 2025) da qual a IA depende. 
Uma estrutura composta por “milhares de equipa-
mentos responsáveis pelo processamento e arma-
zenamento” (Stacciarini & Gonçalves, 2025), qui-
lômetros de cabos de fibra ótica e, crucialmente, 
“sistemas de refrigeração que funciona sem parar 
para impedir que elas superaqueçam” (Mota, 2025). 
Esta infraestrutura é a “espinha dorsal das tecnolo-
gias digitais” (Stacciarini & Gonçalves, 2025).

Desmistificar a “nuvem” é, portanto, o primeiro passo 
metodológico para uma análise ambiental da IA. Ao 
substituir a imagem etérea da cloud pela imagem 
industrial do

 data center,

 revelamos o elo entre a res-

posta cognitiva, aparentemente imaterial, e o con-
sumo massivo de energia, água e minerais necessá-
rios para produzi-la.

2.2. O Data Center como o Coração da 

Economia Digital

O data center, uma vez despido de sua roupagem 
metafórica e revelado como uma instalação indus-
trial, emerge como a infraestrutura central da eco-
nomia do século XXI. Se os dados são comumente 
aceitos como o “novo petróleo”, os data centers são, 
inequivocamente, as “novas refinarias” (Vicente, 
2025). São o local onde a matéria-prima bruta 
(bilhões de interações de usuários, imagens, textos) 
é processada, armazenada e transformada no pro-
duto de maior valor da atualidade: inteligência predi-
tiva e respostas cognitivas geradas pela IA.

Embora essas “refinarias” já existissem em larga 
escala para suportar a primeira onda de serviços 
em 

nuvem

 (cloud computing), foi a explosão da Inte-

ligência Artificial que funcionou como o “catalisador 
desse aumento gigantesco da demanda” (Takano, 
citado em Vicente, 2025). A necessidade de pro-
cessar os ciclos de treinamento e inferência (item 

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1.3) impulsionou uma corrida global por investimen-
tos bilionários em infraestrutura física. No Brasil, por 
exemplo, gigantes da tecnologia como Amazon 
(AWS), Microsoft (Azure) e Google Cloud investiram 
dezenas de bilhões de reais para expandir suas ope-
rações (Vicente, 2025), multiplicando o número de 
instalações no país, que hoje já somam 162 (Mota, 
2025).

A centralidade econômica dessa infraestrutura é 
tão absoluta que ela redefiniu a própria métrica de 
sua escala. O poder de um data center não é mais 
medido primariamente por sua área física ou capa-
cidade de armazenamento (petabytes), mas sim por 
sua fome de energia. A potência dessas instalações 
“é medida em energia”, especificamente a eletrici-
dade consumida pela infraestrutura computacional, 
calculada em 

megawatts (MW) 

(Vicente, 2025).

A IA alterou dramaticamente essa métrica. Se os 
grandes data centers da era 

cloud

 (pré-IA) já atin-

giam a casa das dezenas de MW, a IA exige “uma 
densidade maior ainda” (Arnaud, citado em Vicente, 
2025). A capacidade instalada no Brasil, por exem-
plo, já gira em torno de 750-800 MW, o “consumo 
de energia de uma cidade de cerca de dois milhões 
de habitantes” (Mota, 2025). E as projeções futuras, 
impulsionadas pela IA, indicam uma demanda de 
17.716 MW até 2038 (Mota, 2025).

Portanto, o data center é o coração da economia 
digital: um ativo industrial de alto custo, um polo de 
atração de investimentos trilionários (Vicente, 2025) 
e o nexo onde o capital digital se converte direta-
mente em demanda física por energia. Contudo, 
essa infraestrutura não é monolítica; ela possui tipo-
logias distintas, projetadas para atender às diferen-
tes fases do processamento da IA.

2.3. A Tipologia da Infraestrutura para IA: 

Treinamento vs. Inferência

A infraestrutura de data centers que sustenta a IA 
não é homogênea. Embora ambos os processos 
(treinamento e inferência) exijam hardware denso 
em energia (como GPUs e TPUs), a natureza distinta 
de suas cargas de trabalho resulta em duas tipolo-
gias de infraestrutura física com arquiteturas, escalas 
e, crucialmente, localizações geográficas diferentes.

1. Data Centers de Treinamento (Machine Lear-
ning): 

Esta é a infraestrutura do “serviço pesado” 

(Vicente, 2025), onde os modelos sofisticados de IA 
são, de fato, construídos. O treinamento (item 1.3) é 
um processo assíncrono que pode levar semanas 
ou meses; ele exige o máximo poder computacional 
possível, mas não exige velocidade de resposta ime-
diata ao usuário. Como resultado, “não há necessi-
dade de rapidez” (Vicente, 2025), o que significa que 
“a posição geográfica por si só não é determinante 
para definir onde esses prédios são construídos” 
(Vicente, 2025).

Isso permite que essas instalações sejam “colos-
sos que esticam os limites da rede elétrica” (Weise 
& Metz, 2025), construídos em locais remotos onde 
a energia é abundante e barata (muitas vezes de 
fontes fósseis) ou onde o clima frio reduz custos de 
refrigeração. Exemplos desta vanguarda são o “Pro-
jeto Rainier” da Amazon/Anthropic, um complexo no 
estado de Indiana (EUA) projetado para consumir 
2,2 gigawatts e funcionar como uma “única máquina 
gigante destinada apenas à inteligência artificial” 
(Weise & Metz, 2025), ou o “The Citadel Campus” em 
Nevada (EUA), que ocupa 669 mil m² (Stacciarini & 
Gonçalves, 2025). Esta é a “vanguarda desse setor, 
porque resulta em desenvolvimento de tecnologia” 
(Vicente, 2025).

2. Data Centers de Inferência: 

Esta tipologia é 

radicalmente diferente, pois é construída para a 

inte-

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ração

 com o usuário. A inferência é o local “onde a 

IA gera uma resposta ou resultado” final (Vicente, 
2025). Neste caso, a “latência, ou seja, rapidez, é 
essencial” (Vicente, 2025). O usuário não pode 
esperar longos períodos pela resposta de um cha-
tbot ou pela rota de um aplicativo de trânsito.

Por essa razão, os data centers de inferência “pre-
cisam estar próximos às pessoas que vão utilizar 
o serviço” (Vicente, 2025). Eles são geografica-
mente distribuídos, localizados perto de grandes 
centros urbanos e hubs populacionais para minimi-
zar o atraso na resposta. É este o tipo de infraestru-
tura que o Brasil tem atraído predominantemente: 
instalações projetadas não para criar os modelos 
de IA, mas para “hospedar os primeiros racks 100% 
dedicados à inferência” (Takano, citado em Vicente, 
2025), servindo como um ponto de entrega rápido 
para os usuários da América Latina.

Compreender essa divisão é fundamental. Os data 
centers de 

treinamento

 representam uma nova 

forma de indústria pesada, concentrando uma 
demanda energética extrema em locais específi-
cos. Os data centers de 

inferência

 distribuem essa 

demanda por centros urbanos, aumentando a pres-
são sobre as redes elétricas locais. Ambos, como 
veremos, têm impactos ambientais massivos e dis-
tintos.

3. O consumo energético e de recursos 
naturais do datacenter

3.1. A Voracidade Energética da IA: O Con-

sumo Global e o Paradoxo dos Fósseis

O data center, a “refinaria” física da economia digital 
(Vicente, 2025), é um “verdadeiro glutão energético”. 
O “salto cognitivo” da IA é diretamente movido por 
um consumo de eletricidade que é vasto, crescente 
e, paradoxalmente, sujo.

A escala dessa voracidade é mais bem compreen-
dida em termos comparativos. Uma única interação 
com um chatbot de IA, como o ChatGPT, consome 
“dez vezes mais energia que uma busca similar feita 
no Google” (Correa, 2025; PNUMA, 2024). Essa dife-
rença de magnitude, multiplicada pelos bilhões de 
interações diárias (Vieira, 2025), eleva o consumo 
agregado a um patamar de crise.

Globalmente, a infraestrutura de Tecnologia da Infor-
mação (TIC) já responde por cerca de 7% de toda a 
eletricidade consumida no mundo (Correa, 2025). 
Dentro disso, os data centers, criptomoedas e a IA já 
consumiam aproximadamente 460 TWh em 2022, 
o equivalente a 2% do consumo global de energia 
(Stacciarini & Gonçalves, 2025). A Agência Interna-
cional de Energia (AIE) projeta que a demanda ener-
gética desses centros pode mais que dobrar nos 
próximos anos (PNUMA, 2025; Vieira, 2025), alcan-
çando um consumo “equivalente ao do Japão atu-
almente” (PNUMA, 2025). Nos EUA, epicentro do 
treinamento de IA, estima-se que os data centers 
saltem de 4% da demanda elétrica nacional para 
9,1% até 2030 (Stacciarini & Gonçalves, 2025).

Esse consumo massivo se traduz diretamente em 
emissões de carbono. Em 2020, data centers e 
redes de transmissão já respondiam por 1% das 
emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) 
ligadas à energia (PNUMA, 2025). Um estudo da 

Nature Climate Change

 projeta um cenário ainda 

mais alarmante: a IA poderá representar “10% das 
emissões globais de gases de efeito estufa até o ano 
de 2040” (Kolbe Junior, 2024).

Aqui emerge o 

Paradoxo dos Fósseis

. A indústria 

de tecnologia cultiva uma imagem pública de sus-
tentabilidade, investindo em fontes renováveis (Stac-
ciarini & Gonçalves, 2025). Contudo, a demanda 
energética da IA cresce em um ritmo tão “alucinante” 
(PNUMA, 2024) e exige um fornecimento de ener-

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gia tão estável – 24 horas por dia, 7 dias por semana 
– que está sobrecarregando as redes e forçando o 
retorno aos combustíveis fósseis.

O caso do “Projeto Rainier” (item 2.3) é emblemático. 
O complexo de 2,2 gigawatts da Amazon/Anthro-
pic, destinado apenas à IA, será alimentado por uma 
concessionária local que “esperava usar usinas de 
gás natural para fornecer cerca de três quartos da 
energia adicional que seria necessária” (Weise & 
Metz, 2025). A IA, portanto, “impulsiona a queima de 
combustíveis fósseis e atrasa o declínio das emis-
sões” (Neves, 2025). Em vez de acelerar a transição 
verde, a demanda incessante dos data centers con-
tribui para “prolongar a operação de usinas fósseis já 
existentes” (Neves, 2025), pois as empresas enxer-
gam no “gás natural a fonte mais abundante e de 
acesso imediato” (Neves, 2025). O resultado é uma 
pressão crescente sobre as redes elétricas, levando 
os custos de energia a recordes históricos em mer-
cados como o da Virgínia (EUA), o “corredor de cen-
tros de dados” (Muir, 2025).

A voracidade energética da IA, portanto, não é ape-
nas um custo operacional; é uma força geoeconô-
mica que está reconfigurando mercados de energia 
e ameaçando metas climáticas globais.

3.2. A Crise Hídrica: O Uso de Água em 

Data Centers e a Tensão em Regiões de 

Estresse Hídrico

A imensa quantidade de eletricidade consumida 
pelos data centers gera um outro efeito: ela é con-
vertida em calor. Manter as pilhas de servidores 
operando em temperatura ideal exige “sistemas de 
refrigeração que funciona sem parar” (Mota, 2025) 
e o método de resfriamento mais comum e de alto 
desempenho para instalações de hiperescala é a 

evaporação

. Em “torres de resfriamento” (Mota, 

2025), a água circula pelo sistema, absorve o calor 
dos servidores e depois é evaporada, dissipando 

o calor na atmosfera. Esse processo exige uma 
“adição de água pura constantemente ao sistema” 
(Mota, 2025), transformando o data center em um 
consumidor voraz não apenas de energia, mas tam-
bém de água doce.

A escala desse consumo é alarmante. Um data 
center de tamanho médio (1 MW), uma fração dos 
gigantes da IA, pode consumir “até 25,5 milhões de 
litros de água por ano apenas para resfriamento” 
(PNUMA, 2025). Instalações maiores, de hiperes-
cala, podem utilizar “de 3 a 5 milhões de litros de 
água por dia”, um consumo “comparável ao con-
sumo diário de uma cidade com 30.000 habitan-
tes” (Cortez, 2025). Em nível agregado, o Programa 
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) 
alerta que a infraestrutura global de IA poderá, em 
breve, “consumir seis vezes mais água do que a 
Dinamarca” (PNUMA, 2024).

Essa “pegada hídrica secreta” (Ren et al., 2023) pode 
ser rastreada diretamente aos processos de IA. Um 
estudo seminal (Ren et al., 2023) estimou que ape-
nas o treinamento do modelo GPT-3 da Microsoft, 
em seus data centers nos EUA, “evaporou quase 
700 mil litros de água doce limpa”. A inferência tam-
bém tem um custo hídrico direto: uma simples inte-
ração para gerar 100 palavras no ChatGPT pode 
demandar o equivalente a “519 ml” de água (Mota, 
2025) – essencialmente, uma garrafa de água por 
consulta.

O cerne da crise, no entanto, é o nexo entre onde a 
água é consumida e onde ela é escassa. A indústria 
de data centers tem se expandido agressivamente 
em regiões que já sofrem de “estresse hídrico”. O 
caso mais emblemático é o “boom dos data centers 
no deserto” (MIT Tech Review, 2025). Em estados 
áridos como Nevada e Arizona, nos EUA, a chegada 
dessas instalações “insaciáveis” criou uma “batalha 
pela água”, colocando a indústria de tecnologia em 

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competição direta com a agricultura e o abasteci-
mento residencial.

A presença desses “consumidores intensivos de 
água” (Andrade, citado em Borges, 2025) em zonas 
áridas agrava as “secas severas e eventos climáticos 
extremos” (Borges, 2025). Mesmo em localidades 
com aparente “potencial hídrico” (Borges, 2025), a 
demanda concentrada dos data centers pode gerar 
“sérios desafios” (PNUMA, 2025), transformando a 
IA de uma ferramenta virtual em um vetor direto de 
escassez de recursos no mundo físico.

3.3. A Pegada Mineral e o E-Lixo: Extração 

de Matérias-Primas e Poluição

O impacto ambiental da IA não se resume ao seu 
consumo operacional de energia (item 3.1) e água 
(item 3.2). A própria “estrutura física complexa e 
massiva” (Stacciarini & Gonçalves, 2025) – os data 
centers, servidores, cabos e, fundamentalmente, os 
chips semicondutores – depende de um ciclo indus-
trial de extração mineral intensiva e gera um volume 
crescente de resíduos tóxicos.

1. A Pegada Mineral (Extração): 

A manufatura do 

ecossistema de hardware da IA exige uma “ampla 
variedade de minerais e metais” (Stacciarini & Gon-
çalves, 2025). Os microchips que alimentam os pro-
cessos de 

deep learning 

dependem de “elementos 

de terras raros” (PNUMA, 2024) e outros minerais 
estratégicos como gálio, germânio e grafite (Gon-
çalves, 2025). A extração e, principalmente, o refino 
desses materiais são processos “muitas vezes (...) 
destrutivos para o meio ambiente” (PNUMA, 2024) e 
altamente concentrados geopoliticamente (Gonçal-
ves, 2025).

Além dos chips, a própria construção dos data cen-
ters gera uma nova demanda extrativa. O 

cobre

, por 

exemplo, é um “insumo necessário para a fabricação 
de equipamentos de resfriamento” e para a eletrifica-

ção massiva dessas instalações (Lovisi, 2025). Essa 
demanda é tão concreta que a mineradora Vale 
Base Metals já anunciou planos para “acelerar seu 
plano de extração de cobre”, visando principalmente 
suas operações no Pará, na Amazônia, para “aten-
der à crescente demanda provocada (...) pelo cresci-
mento da inteligência artificial” (Lovisi, 2025).

A intensidade material desse processo é gritante: 
para fabricar um único computador de 2 kg, “são 
necessários 800 kg de matérias-primas” (PNUMA, 
2024). A IA, ao demandar hardware cada vez mais 
potente, intensifica essa pressão extrativa em escala 
global.

2. A Pegada do E-Lixo (Descarte): 

Na outra ponta 

do ciclo de vida, encontra-se o descarte. A indústria 
de IA opera sob uma lógica de obsolescência tec-
nológica acelerada. A corrida por desempenho – 
exemplificada pela rápida sucessão de gerações de 
GPUs da Nvidia (Mota, 2025) – impõe um “curto ciclo 
de vida dos equipamentos”, que são “muitas vezes 
substituídos em apenas dois a cinco anos” (Staccia-
rini & Gonçalves, 2025).

Essa “rápida rotatividade de servidores” (Tzachor, 
citado em Deutsche Welle, 2024) está levando a um 
“aumento descontrolado do e-lixo gerado pela IA” 
(Deutsche Welle, 2024). Um estudo publicado na 
revista 

Nature Computational Science 

calculou que 

o lixo eletrônico (e-lixo) gerado especificamente por 
servidores de IA pode “aumentar drasticamente”, 
prevendo um crescimento de “mil vezes” entre 2023 
e 2030 (Deutsche Welle, 2024).

Este e-lixo é particularmente problemático. Ele 
“representa 70% do total de resíduos tóxicos produ-
zidos em todo o mundo” (Deutsche Welle, 2024) e 
“geralmente contém substâncias perigosas, como 
mercúrio e chumbo” (PNUMA, 2024). O descarte 
inadequado desses materiais “prejudica os ecossis-

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temas e a saúde humana” (Gupta, citado em Deuts-
che Welle, 2024).

Assim, a IA se revela uma indústria que não apenas 
consome energia e água em sua operação (itens 3.1 
e 3.2), mas que também depende da extração des-
trutiva de recursos finitos para sua construção e con-
tribui para a poluição tóxica em seu descarte. A tota-
lidade desse impacto, no entanto, permanece difícil 
de calcular devido a um problema central: a opaci-
dade corporativa.

4. A falta de transparência das empresas

4.1. O Data Center como “Caixa-Preta” e o 

Segredo Corporativo

A quantificação precisa dos vastos impactos ener-
géticos, hídricos e materiais detalhados no capítulo 
anterior é sistematicamente obstruída por um obs-
táculo que não é técnico, mas político-corporativo: 
a opacidade deliberada. As mesmas corporações 
de tecnologia que promovem a IA como uma ferra-
menta onisciente e transparente operam sua própria 
infraestrutura sob um regime de sigilo industrial.

Neste contexto, o conceito de “caixa-preta”, fre-
quentemente utilizado para descrever a inexplica-
bilidade dos 

algoritmos

 de IA (o porquê de uma IA 

tomar certa decisão), deve ser aplicado também à 
sua fundação material. O próprio data center – o edi-
fício, o hardware, a infraestrutura de resfriamento – é 
tratado como uma “caixa preta” (De Vries, citado em 
Mota, 2025).

As corporações que controlam esta infraestrutura 
(como Google, Microsoft, Meta e Amazon) tratam 
os dados operacionais como “segredos corporati-
vos rigorosamente guardados”. Informações críti-
cas, como a “escala total” do consumo de energia, a 
localização exata dos servidores, a “pegada hídrica 
secreta” (Ren et al., 2023) e as métricas de eficiên-

cia no uso de água (WUE) e energia (PUE), são infor-
mações que as empresas possuem, mas ativamente 
sonegam do escrutínio público e acadêmico.

Como afirma categoricamente o pesquisador Alex 
de Vries: “As empresas sabem exatamente quanto 
de energia seus sistemas de IA estão usando, eles 
apenas optam por não publicar essa informação” 
(citado em Mota, 2025).

Essa retenção de dados não é acidental. É uma 
estratégia corporativa que perpetua a “falácia tec-
nológica” da “nuvem” imaterial, (discutida no item 
2.1), desvinculando a imagem pública da IA de sua 
pesada pegada industrial. Ao manter o data center 
como uma “caixa-preta” física, as empresas impe-
dem que a sociedade realize um “cálculo acurado” 
(Mota, 2025) dos seus custos reais, tornando impos-
sível “confrontar os custos e benefícios da inteligên-
cia artificial” (De Vries, citado em Mota, 2025).

4.2. A Omissão de Dados Cruciais para a 

Medição do Impacto

A opacidade do data center, tratada como “caixa-
-preta” corporativa, não é apenas uma postura filo-
sófica de sigilo; ela se manifesta na omissão con-
creta de indicadores-chave de desempenho que 
são “cruciais” para qualquer avaliação ambiental 
séria. Cientistas e pesquisadores que tentam calcu-
lar a pegada real da IA afirmam repetidamente que 
“a quantidade de informações compartilhadas pelas 
empresas de tecnologia e operadores de data cen-
ters não é suficiente para fazer um cálculo acurado” 
(Mota, 2025).

Essa escassez de dados impede o cálculo da efici-
ência e do impacto real. Entre os dados cruciais sis-
tematicamente omitidos pelas 

Big Techs 

estão:

1.  A Capacidade Operacional Real: 

As empre-

sas divulgam, por vezes, a capacidade 

instalada

 (o 

potencial máximo de consumo energético), mas 

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“não se sabe, por exemplo, em que capacidade os 
data centers operam” (Mota, 2025) – ou seja, se con-
somem a totalidade dessa energia ou uma fração 
dela.

2. A Diferenciação de Carga (Treinamento vs. 
Inferência):

 Como discutido (itens 1.3 e 2.3), o treina-

mento é energeticamente mais intensivo que a infe-
rência. No entanto, as empresas não divulgam “qual 
percentual dos servidores é usado para treinar os 
modelos e para a operação de fato dos chatbots” 
(Mota, 2025). Sem essa divisão, é impossível calcular 
o custo real de cada novo modelo lançado no mer-
cado.

3. Localização Geográfica e Fonte Energética: 

A pegada de carbono de um data center depende 
inteiramente da matriz energética que o abastece 
(seja ela fóssil ou renovável). A indústria obscurece 
esse cálculo, pois, como aponta Alex de Vries, é 
impossível rastrear “em que parte do mundo estão 
os servidores que estão processando a chamada” 
(citado em Mota, 2025).

4. Métricas de Eficiência Hídrica (WUE):

 O 

impacto hídrico (item 3.2) depende drasticamente 
de “quando” e “onde” um modelo é treinado – por 
exemplo, se durante o dia ou a noite, no verão ou 
inverno, e em qual bacia hidrográfica (Ren et al., 
2023). As empresas não publicam esses dados 
de Eficiência no Uso da Água (WUE), tornando a 
“pegada hídrica secreta” (Ren et al., 2023) quase 
impossível de medir externamente.

Essa omissão deliberada de dados granulares asse-
gura que a materialidade da IA permaneça em uma 
zona de sombra. Ela paralisa a ciência indepen-
dente e a regulação pública, permitindo que a indús-
tria opere em um vácuo de responsabilidade e abra 
espaço para a prática generalizada do 

greenwa-

shing

.

4.3. A Crítica ao Greenwashing e a Urgên-

cia da Mensuração Objetiva

O vácuo de dados criado pela opacidade corpora-
tiva não é apenas um problema acadêmico; ele é a 
condição que permite a proliferação do 

greenwa-

shing

 – a prática de promover discursos e alegações 

de sustentabilidade que não correspondem aos 
impactos reais. Na ausência de dados auditáveis, 
as corporações de tecnologia “vendem sustenta-
bilidade, mas não dão conta do cenário real” (Pinha, 
citada em Vicente, 2025).

Esta “lavagem verde” prospera em terminologias 
vagas. Como critica o pesquisador Lourenço Faria, 
as empresas divulgam termos como “fontes reno-
váveis de energia”, “arquitetura verde” ou “baixo 
consumo de água” sem, no entanto, fornecer “indi-
cadores-chave de desempenho ambiental (key 
performance indicators, KPIs)” que sejam precisos 
e mensuráveis pela sociedade (citado em Borges, 
2025).

Um exemplo claro dessa prática é o debate sobre o 
consumo de água. Uma empresa pode alegar que 
utiliza “resfriamento a ar” (uma tecnologia suposta-
mente mais “seca”) e, portanto, não sobrecarrega 
o suprimento hídrico local. Contudo, essa alegação 
omite o consumo 

indireto

 de água. O resfriamento a 

ar é mais intensivo em eletricidade, e se essa eletri-
cidade adicional for fornecida por uma usina de gás 
natural ou hidrelétrica – ambas grandes consumido-
ras de água em seus próprios processos – o ganho 
hídrico pode ser nulo ou até negativo. Sem métricas 
padronizadas que abranjam todo o ciclo, a alegação 
de “eficiência hídrica” torna-se uma ferramenta de 
marketing enganosa.

Diante desse cenário, emerge uma urgência pela 
“mensuração objetiva”. O Programa das Nações Uni-
das para o Meio Ambiente (PNUMA) tem sido enfá-
tico ao defender que os países estabeleçam “pro-

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cedimentos padronizados para medir o impacto 
ambiental da IA” (PNUMA, 2024), pois “no momento, 
há uma escassez de informações confiáveis” 
(PNUMA, 2024). Esta padronização (AI ACTION 
SUMMIT, 2025) é o pré-requisito para qualquer 
regulação eficaz.

No Brasil, o debate legislativo sobre data centers já 
começa a refletir essa preocupação, com propostas 
de “verificação independente e certificação” (IP.rec, 
2025) para evitar o 

greenwashing

 e garantir que as 

alegações ambientais sejam “auditáveis e baseadas 
em critérios objetivos e mensuráveis” (IP.rec, 2025). 
A insistência de alguns setores em focar apenas na 
“eficiência energética” como sinônimo de susten-
tabilidade (Alves, citado em Pincer, 2025), ignora os 
impactos hídricos, minerais e de emissões fósseis 
(discutidos no Item 3), reforçando a necessidade de 
uma abordagem regulatória holística, baseada em 
dados abertos e não em segredos corporativos.

5. Olhando mais a fundo: a IA é uma 
força produtiva (tecnologia) que passa a 
determinar as demais

A análise dos capítulos anteriores demonstrou 
a escala da pegada material da IA: o consumo 
massivo de energia, muitas vezes fóssil (item 3.1), 
a demanda por recursos hídricos em zonas de 
estresse (item 3.2), a extração de minerais (item 3.3) 
e a opacidade corporativa que oculta esses custos 
(Item 4).

Uma análise crítica, contudo, não pode parar na 
constatação desses impactos. É preciso questionar 
a lógica que impulsiona essa voracidade. Por que 
a sociedade, apesar da emergência climática, está 
investindo trilhões em uma infraestrutura que pro-
longa a operação de usinas de gás (Neves, 2025; 
Weise & Metz, 2025) e acelera a mineração na Ama-
zônia (Lovisi, 2025)?

A resposta reside na compreensão do papel quali-
tativamente novo que a IA desempenha no sistema 
produtivo. A IA não é apenas mais uma ferramenta 
ou um setor industrial. Como argumentado em 

Inte-

ligência Artificial e Sociedade

 (Ferreira, 2025), a IA 

deve ser compreendida como um salto qualitativo: 
a manifestação da 

Força Produtiva Tecnológica 

(FPT)

 hegemônica de nossa era.

5.1. A Supremacia da IA como Força Pro-

dutiva Tecnológica (FPT)

A supremacia da IA como FPT (Ferreira, 2025) 
define-se por características únicas que a diferen-
ciam fundamentalmente das forças produtivas ante-
riores (como a máquina a vapor ou a eletricidade).

Primeiro, como estabelecido no item 1.2, a IA rompe 
a barreira da automação física e consolida a 

auto-

mação do cognitivo 

(Ferreira, 2025). Ela invade o 

domínio do trabalho intelectual (análise, predição, 
comunicação) em escala industrial, redefinindo o 
valor e a função do trabalho humano no processo 
produtivo.

Segundo, a IA atua como uma 

“meta-tecnologia” 

de gerenciamento

 (Ferreira, 2025). Sua função pri-

mordial não é apenas produzir um bem específico, 
mas atuar como um “sistema nervoso central” (Fer-
reira, 2025) que otimiza, coordena e gerencia todas 
as 

outras

 forças produtivas – o trabalho, a energia e 

as matérias-primas. Ela é a tecnologia que decide 
como as outras tecnologias e recursos devem ser 
alocados para maximizar a eficiência de todo o 
ecossistema produtivo.

Terceiro, a IA Generativa representa um salto qualita-
tivo para uma 

tecnologia que cria 

(Ferreira, 2025). 

Ela move-se da análise (o que é) e da predição (o 
que 

será

) para o domínio da inovação (o que 

pode 

ser

). A IA é capaz de gerar “soluções fundamental-

mente novas” (Ferreira, 2025), como projetar molé-

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culas para novos medicamentos, criar materiais 
inéditos ou desenhar os “chips de última geração” 
(Gonçalves, 2025) que alimentarão a si mesma, ini-
ciando um ciclo de autodesenvolvimento tecnoló-
gico.

É essa tripla capacidade – cognitiva, gerencial e cria-
tiva – que estabelece a supremacia da IA como FPT 
(Ferreira, 2025). Ela não é apenas 

mais uma força 

produtiva; ela é a força produtiva que, como vere-
mos a seguir, passa a 

determinar

 a lógica e o ritmo de 

todas as demais.

5.2. A Determinação da IA sobre as Forças 

Materiais (Energia e Matéria-Prima)

A supremacia da IA como Força Produtiva Tecno-
lógica (FPT) não é um exercício de poder abstrato. 
Ela se manifesta em sua capacidade concreta de 
impor sua lógica de eficiência e acumulação sobre 
as forças produtivas materiais – a Energia e a Maté-
ria-Prima – criando contradições e novas dependên-
cias que explicam a voracidade detalhada no Capí-
tulo 3.

Determinação sobre a Energia:

 A força produ-

tiva da Energia é profundamente determinada pela 
IA (Ferreira, 2025). Por um lado, a IA é a ferramenta 
indispensável para a racionalização energética, via-
bilizando redes inteligentes (

smart grids

) capazes de 

gerenciar a intermitência de fontes renováveis. Con-
tudo, esta é apenas metade da história.

O paradoxo é que o desenvolvimento e a operação 
da própria FPT criam uma nova e voraz fronteira 
de consumo energético (conforme item 3.1). A IA 
dita a localização de data centers, atraindo-os para 
locais com energia barata ou climas frios. Mais cri-
ticamente, a demanda avassaladora da IA por for-
necimento contínuo de eletricidade (24 horas por 
dia) subordina a matriz energética às suas necessi-
dades. Isso cria o “Paradoxo dos Fósseis” (item 3.1): 

para garantir a estabilidade exigida pelos data cen-
ters de IA, empresas de tecnologia e concessioná-
rias estão “prolongando a operação de usinas fós-
seis já existentes” (Neves, 2025). O caso do “Projeto 
Rainier”, que recorrerá massivamente ao gás natural 
para suprir sua demanda de 2,2 gigawatts (Weise & 
Metz, 2025), é a prova de que a FPT (IA) está 

deter-

minando

 a manutenção da energia fóssil, atrasando 

o declínio das emissões.

Determinação sobre a Matéria-Prima:

 Da mesma 

forma, a IA reconfigura a relação com a Matéria-
-Prima (Ferreira, 2025). Ela passa de um paradigma 
de extração em massa para um de precisão cirúr-
gica e design inteligente (ex: descobrindo novos 
materiais). No entanto, a própria infraestrutura física 
que sustenta a FPT aumenta a pressão sobre a 
extração de minerais essenciais (conforme item 3.3).

A IA 

determina

 quais minerais se tornam estratégi-

cos na geopolítica global, como o silício, o gálio, o 
germânio e as terras raras, essenciais para os “chips 
de última geração” (Gonçalves, 2025). Além disso, 
sua infraestrutura de data centers exige vastas quan-
tidades de cobre, “insumo necessário para a fabri-
cação de equipamentos de resfriamento” (Lovisi, 
2025). Essa determinação tem consequências geo-
gráficas diretas, como o plano da Vale de “acelerar 
seu plano de extração de cobre [...] principalmente 
do Pará, visando atender à crescente demanda” da 
IA (Lovisi, 2025).

Portanto, a FPT não apenas “consome” recursos; ela 
ativamente 

determina

 a política energética e a estra-

tégia extrativa, subordinando os limites biofísicos do 
planeta à sua própria lógica de expansão computa-
cional.

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5.3. A Nova Lógica de Acumulação de Ca-

pital e Concentração de Poder

A consequência estrutural da supremacia da IA 
como Força Produtiva Tecnológica (FPT) é uma 
reconfiguração fundamental na lógica de acumula-
ção de capital e na geografia do poder. O controle 
sobre esta “meta-tecnologia” torna-se o principal 
vetor de poder econômico, eclipsando os modos de 
produção anteriores.

Primeiro, o “centro de gravidade da acumulação de 
capital” está a deslocar-se decisivamente de ativos 
físicos tradicionais (como fábricas, máquinas ou fro-
tas) para ativos intangíveis: a posse dos algoritmos 
de IA e, acima de tudo, o controlo sobre os “vastos 
conjuntos de dados” (Stacciarini & Gonçalves, 2025) 
que os alimentam (Ferreira, 2025). Os dados emer-
gem como o “novo petróleo” (Vicente, 2025), a maté-
ria-prima essencial que permite à FPT otimizar, gerir 
e prever a totalidade do ecossistema produtivo.

Além disso, essa nova lógica de acumulação con-
duz, inevitavelmente, a um nível de “concentração de 
poder” sem precedentes (Ferreira, 2025). O desen-
volvimento, treino e implementação de modelos de 
IA de ponta (conforme discutido nos itens 1.3 e 2.3) 
exigem um investimento de capital que é proibitivo 
para quase todos os atores. A construção de com-
plexos de gigawatts, como o “Projeto Rainier” (Weise 
& Metz, 2025), a mobilização de “centenas de biliões 
de dólares” (Weise & Metz, 2025) e o domínio sobre 
os “gargalos” geopolíticos dos “chips de última gera-
ção” (Gonçalves, 2025) são empreendimentos ao 
alcance de um oligopólio de corporações de tecno-
logia.

Esse custo colossal assegura que a infraestru-
tura fundamental do século XXI – os data centers 
de treino e os algoritmos de ponta – seja proprie-
dade de poucas “Big Techs” (Ferreira, 2025), como 
a Amazon (AWS), Google, Microsoft e Meta (Vicente, 

2025; Muir, 2025). Tais empresas “capturam” a infra-
estrutura (Ferreira, 2025) e estabelecem uma nova 
forma de dependência global. O Brasil, por exem-
plo, atrai investimentos para data centers de 

inferên-

cia

 (Vicente, 2025) (o ponto de entrega), mas per-

manece um consumidor da tecnologia de treino 
(Vicente, 2025) (o ponto de criação), que ocorre 
maioritariamente nos EUA (Neves, 2025). Este fenó-
meno é descrito como uma forma de “colonialismo 
digital” (Ferreira, 2025), onde os recursos mate-
riais locais (energia, água e minerais) são mobiliza-
dos para gerar valor que é acumulado centralizada-
mente.

Finalmente, esta lógica de acumulação redefine o 
próprio trabalho. A FPT não extrai valor apenas do 
trabalho assalariado; ela depende da extração de 
um “trabalho digital gratuito” (Ferreira, 2025) – cada 
clique, busca, postagem e interação do utilizador 
que é capturado e transformado na matéria-prima 
(dados) para treinar os modelos. A atividade coletiva 
da sociedade é, assim, convertida em capital finan-
ceiro para poucos, solidificando a concentração de 
poder que define a era da IA.

5.4 Controle e Riqueza

A análise estrutural dos capítulos anteriores leva a 
uma conclusão incontornável: os impactos ambien-
tais da IA, detalhados no Capítulo 3 (o consumo 
energético, hídrico e mineral) e a opacidade corpora-
tiva que os oculta (Capítulo 4), não são falhas aciden-
tais, custos imprevistos ou “externalidades” a serem 
corrigidas com ajustes técnicos. São, pelo contrário, 
a consequência lógica e necessária da estrutura de 
poder que controla esta tecnologia.

O problema central não é a tecnologia em si – a IA 
como ferramenta cognitiva (item 1.2). O problema é a 
sua subordinação a uma lógica irrestrita de acumula-
ção de capital (Ferreira, 2025).

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Revista Científica Virtual da ESA OAB SP. Ed. 50. 2025. Este trabalho está licenciado sob a Licença 
Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0).

Quando uma Força Produtiva Tecnológica (FPT) de 
tal magnitude é propriedade privada e controlada 
por um oligopólio de 

Big Techs

, o seu imenso poder 

de “determinação” sobre as forças materiais será, 
inevitavelmente, orientado para os interesses desse 
oligopólio. A “eficiência” buscada não é a eficiência 
ecológica ou social, mas a eficiência para a acumu-
lação.

Nessa lógica, a aceleração da extração de cobre na 
Amazônia (Lovisi, 2025) ou a queima de gás natural 
em larga escala para alimentar um data center em 
Indiana (Weise & Metz, 2025) não são vistos como 
desastres ambientais, mas como custos operacio-
nais justificados para garantir a expansão da FPT 
e a vantagem competitiva. A opacidade (Capítulo 
4) não é um lapso, mas uma ferramenta de poder; o 
“segredo corporativo” (Mota, 2025) é a estratégia 
para impedir a fiscalização pública sobre essa lógica 
de acumulação.

A ascensão da IA como FPT (Ferreira, 2025) trans-
forma, portanto, os debates sobre tecnologia em 
debates fundamentalmente sobre poder. A ques-
tão central que define o século XXI, e que este artigo 
procura sublinhar, não é técnica (como tornar a IA 
mais eficiente), mas política: “quem controla essa 
força produtiva determinante e, consequentemente, 
quem se beneficia de sua imensa capacidade de 
gerar riqueza e de organizar a sociedade?” (Ferreira, 
2025).

Manter a IA sob o controle privado e concentrado 
garante a perpetuação dos impactos socioambien-
tais, subordinando os limites biofísicos do planeta 
à lógica da acumulação. Isso nos leva diretamente 
à discussão sobre as únicas soluções possíveis, a 
serem exploradas no capítulo final.

6. A Questão do Controle: Da Regulação 
Paliativa à Socialização

6.1. A Urgência das Soluções Paliativas: 

Regulação Ambiental e Fiscalização

Diante da voracidade energética e material da infra-
estrutura de IA e da “caixa-preta” corporativa que 
oculta essa realidade, a implementação de meca-
nismos robustos de regulação e fiscalização emerge 
como a solução paliativa mais urgente e indispen-
sável a curto prazo. Embora, como se argumentará 
adiante, a regulação por si só seja insuficiente para 
alterar a lógica de acumulação que impulsiona o pro-
blema, ela é a única ferramenta imediata capaz de 
“mitigar danos” e impor um mínimo de responsabili-
dade socioambiental.

A primeira e mais crítica frente regulatória é o com-
bate direto à opacidade. A prática do 

greenwashing

 

só prospera no vácuo de dados auditáveis. Portanto, 
a ação governamental é crucial para “preencher a 
lacuna regulatória existente” (PNUMA, 2025). O Pro-
grama das Nações Unidas para o Meio Ambiente 
(PNUMA) tem sido claro ao instar os governos a 
“estabelecer procedimentos padronizados para 
medir o impacto ambiental da IA”, dada a atual 
“escassez de informações confiáveis” (PNUMA, 
2024).

Isso se materializa na exigência de transparência 
radical. Os gestores públicos devem exigir que as 
empresas de tecnologia divulguem “indicadores-
-chave de desempenho ambiental (KPIs)” (Borges, 
2025) que sejam “objetivos e mensuráveis” (IP.rec, 
2025). As novas “Diretrizes de Compras Sustentá-
veis” do PNUMA (2025) e os debates sobre padro-
nização internacional (AI ACTION SUMMIT, 2025) já 
fornecem a base técnica, focando em métricas cla-
ras de “eficácia do uso de energia (PUE)”, “eficácia 

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Revista Científica Virtual da ESA OAB SP. Ed. 50. 2025. Este trabalho está licenciado sob a Licença 
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do uso de água (WUE)” e o percentual real de “uso 
de energia renovável” (PNUMA, 2025).

No Brasil, propostas como o “Plano Nacional de 
Data Centers (Redata)” (Vicente, 2025) e deba-
tes legislativos no Senado (PL 3018/2024, citado 
em Borges, 2025 e Pincer, 2025) já apontam para 
a necessidade de condicionar incentivos fiscais 
a “contrapartidas” (Vicente, 2025; Borges, 2025). 
Isso deve incluir a exigência de “estudos de impacto 
ambiental sérios” (Borges, 2025) que contemplem o 
ciclo de vida completo da infraestrutura – incluindo 
o impacto na rede elétrica local e nos recursos hídri-
cos.

Para garantir que essas métricas não sejam apenas 
mais uma forma de 

greenwashing

, a regulação deve 

ser acompanhada de “mecanismos de verificação 
independente e certificação” (IP.rec, 2025). A fiscali-
zação deve ter o poder de auditar as alegações das 
empresas, combatendo a cultura do “segredo cor-
porativo” (item 4.1) e garantindo que o custo ambien-
tal da IA seja, pela primeira vez, publicamente conhe-
cido e politicamente gerenciado.

6.2. Limites da Regulação e a Urgência da 

Mudança Estrutural

As medidas paliativas de regulação e fiscalização 
são indispensáveis para mitigar os danos imediatos. 
Contudo, é fundamental reconhecer os seus limites 
estruturais. Estas medidas atuam sobre os 

sintomas

 

da crise ambiental da IA – o consumo de energia, a 
pegada hídrica, a opacidade – mas falham em ende-
reçar a 

causa

 fundamental do problema: a lógica de 

acumulação e a estrutura de poder que controla esta 
tecnologia.

O limite da regulação reside no facto de que ela não 
altera a natureza da IA como uma Força Produtiva 
Tecnológica (FPT) hegemónica, nem a sua proprie-
dade concentrada nas mãos de um oligopólio de 

Big 

Techs

. As mesmas corporações (Amazon, Google, 

Microsoft) que seriam alvo da regulação são as que 
detêm o poder económico e de 

lobby

 para moldar 

essa mesma regulação aos seus interesses, muitas 
vezes focando-a em metas de “eficiência” (Pincer, 
2025) que não prejudicam a sua expansão.

Mesmo a regulação mais bem-intencionada opera 
dentro da lógica do sistema que ela tenta corrigir. Ela 
pode taxar o carbono, multar pela poluição hídrica 
ou exigir transparência (IP.rec, 2025). No entanto, 
ela não impede a 

determinação

 da FPT sobre as 

forças produtivas e sobre a sociedade. Para as cor-
porações que controlam a IA, o custo de “prolongar 
a operação de usinas fósseis” (Neves, 2025) ou de 
“acelerar a extração de cobre na Amazônia” (Lovisi, 
2025) é simplesmente um custo de negócio a ser 
absorvido ou repassado, desde que a acumulação 
de capital seja mantida.

Além disso, o foco regulatório na “eficiência energé-
tica” (Pincer, 2025) muitas vezes ignora o 

Paradoxo 

de Jevons: 

à medida que a IA se torna mais efi-

ciente e barata, as suas aplicações multiplicam-se, 
levando a um 

aumento

 do consumo agregado de 

energia, anulando os ganhos de eficiência.

A regulação, portanto, encontra o seu limite na pró-
pria estrutura de propriedade. Ela tenta gerir os 
danos de um sistema cuja lógica intrínseca é a 
expansão ilimitada. A constatação dos “limites da 
regulação” (Ferreira, 2025) revela a “urgência da 
mudança estrutural”. Se o problema é o “controle 
e riqueza” concentrados, a única solução definitiva 
não pode ser a gestão desse controle, mas sim a sua 
transformação.

6.3. A Solução Estrutural: Socialização e 

Democratização da IA

Se a regulação é paliativa e seus limites são defini-
dos pela lógica da acumulação privada, a única solu-

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Revista Científica Virtual da ESA OAB SP. Ed. 50. 2025. Este trabalho está licenciado sob a Licença 
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ção definitiva e estruturalmente coerente é aquela 
que ataca a raiz do problema: a “questão do con-
trole” (Ferreira, 2025). A solução definitiva é “demo-
cratizar o controle da IA como força produtiva tec-
nológica, transferindo sua propriedade para a 
sociedade como um todo”.

Esta proposta não é meramente ideológica; é uma 
conclusão prática diante da escala do poder desta 
FPT e dos seus impactos.

Socialização

 implica “retirar a IA do controle 

exclusivo das grandes corporações privadas” e tra-
tá-la como uma “infraestrutura pública essencial”. 
Assim como uma nação não deveria entregar sua 
rede elétrica ou seus reservatórios de água ao con-
trole irrestrito de um oligopólio focado no lucro, ela 
não pode entregar a infraestrutura cognitiva cen-
tral do século XXI – os data centers de treinamento 
e os modelos de linguagem fundamentais – a esse 
mesmo destino.

Democratização

 é o mecanismo de gestão 

dessa socialização. Significa “submeter seu desen-
volvimento a mecanismos democráticos e participa-
tivos”. Em vez de ter o desenvolvimento da IA ditado 
pela corrida de mercado (que exige modelos cada 
vez maiores e mais vorazes em energia), a socie-
dade poderia “decidir coletivamente quais são os 
objetivos prioritários que a IA deve atender”.

Uma FPT sob controle democrático mudaria sua 
função: em vez de otimizar o consumo e a acumu-
lação, poderia ser reorientada para gerir a escas-
sez e o “bem comum”. Uma IA pública, por exemplo 
na saúde, poderia ser orientada para a “prevenção 
e o bem-estar coletivo” em vez do lucro com paten-
tes. Uma IA ambiental poderia ser focada em gerir os 
“limites biofísicos do planeta”, em vez de ser a força 
que “acelera a extração de cobre na Amazônia” 
(Lovisi, 2025).

Esta proposta responde diretamente à questão cen-
tral do “controle e riqueza”. A socialização é a única 
forma de garantir que os benefícios da “imensa 
capacidade de gerar riqueza” da IA sejam reverti-
dos para a coletividade, e que sua operação respeite 
os ecossistemas dos quais todos dependemos. 
Diante de uma tecnologia com poder de determina-
ção sobre todas as outras, a socialização não é uma 
escolha radical, mas a “condição indispensável” para 
um futuro ecologicamente viável e socialmente justo.

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