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Apresentação

Erik Chiconelli Gomes

1

A Reforma Trabalhista de 2017 transcende a mera alteração normativa; ela representa a expressão condensada 
de uma luta de classes em um contexto de reconfiguração das forças sociais no Brasil. Seu processo de formula-
ção e aprovação revela uma escolha política deliberada para reequilibrar a correlação de forças em favor do ca-
pital, deslocando a proteção jurídica para uma lógica contratual privatista e fragmentada. Ao reduzir a força da lei 
e ampliar a individualização dos conflitos, a Reforma invisibilizou a experiência concreta dos trabalhadores e es-
vaziou seus mecanismos de resistência.

É nesse contexto crítico que a 48ª edição da Revista Científica da ESA OAB SP se insere, apresentando 15 arti-
gos que, em conjunto, traçam um panorama abrangente e crítico sobre os múltiplos desdobramentos da Refor-
ma. A jornada analítica desta edição se organiza em torno de grandes eixos temáticos.

A análise se aprofunda nas transformações do direito coletivo e nas novas formas de contratação. Em 

O Contrato 

de Licenciamento de Marca: Refl

 

exões à Luz do Conceito de Grupo Econômico Fixado pela Lei n° 13.467/2017

, Car-

la Teresa Martins Romar investiga a responsabilização solidária pós-reforma. As alterações processuais que im-
pactam o acesso à justiça são o foco de Carlos Augusto Marcondes de Oliveira Monteiro e Giovanna de Cássia 
Bettim Nogueira em 

O Fortalecimento do Duplo Grau de Jurisdição com o Advento da Lei n° 13.467/2017

.

Ainda no campo processual, o incidente de desconsideração da personalidade jurídica é abordado por Cristina 
Paranhos Olmos, que analisa sua compatibilidade com os princípios trabalhistas em 

Incidente de Desconsidera-

ção da Personalidade Jurídica: Aplicação no Processo do Trabalho

. A discussão sobre os novos modelos contra-

tuais é iniciada por Silvia Augusta Mateus, com uma reflexão crítica em 

O

 

Contrato de Trabalho Intermitente: Avan-

ço na Flexibilização ou Precarização das Relações Laborais?

.

Ampliando o debate para a era digital, Erotilde Ribeiro dos Santos Minharro investiga a subordinação algorítmi-
ca em

 Oito Anos da Reforma Trabalhista: Entre Promessas de Modernização e a Distopia Algorítmica

. Em seguida, 

Fabiano Zavanella e Mariana Siqueira analisam o tratamento jurídico das Dispensas Coletivas e seus tensiona-
mentos institucionais. A função do valor da causa e seus riscos para a execução são o tema de Fabio Augusto 
Branda em 

Valor da Causa no Processo do Trabalho: Estimativa ou Limitação de Futura Execução?

.

A complexa relação entre o negociado e o legislado é examinada por Líbia Alvarenga de Oliveira e Guilher

-

me

 

G

h

ilardi Cavini no artigo 

Prevalência do Negociado sobre o Legislado e os Novos Rumos da Negociação 

Coletiva no Direito do Trabalho Brasileiro Pós-Reforma

, à luz do julgamento do Tema 1046 pelo STF. Retoma

n-

1  Pós-Doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP). Doutor e Mestre em História Econômica pela Univer-
sidade de São Paulo (USP). Especialista em Economia do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em Direito 
do Trabalho pela Faculdade de Direito da USP. Bacharel e Licenciado em História (USP). Licenciado em Geografia (UnB). Bacharel em 
Ciências Sociais (USP) e em Direito (USP). Atualmente, é Coordenador Acadêmico e do Centro de Pesquisa e Estudos na Escola Superior 
de Advocacia (ESA/OABSP. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-4385-4586

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do o deba

te sobre estruturas empresariais, Rafael Eustáquio da Silva explora as transformações do conceito 

em 

O  Grupo  Econômico  no  Direito  do  Trabalho:  Da  Interpretação  Tradicional  à  Dinâmica  Pós-Reforma  e  os 

Desafi

 

os do Século XXI

.

Apresentando uma visão contundente, Leonardo Aliaga Betti critica o incidente de desconsideração como um 
obstáculo à justiça social em 

O ‘Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica’: Mais um Capítulo da 

‘Reforma’ Trabalhista de 2017 e seus Retrocessos

. As consequências práticas da nova definição de grupo eco-

nômico são o foco de Samara Katerine de Souza Araújo em Impactos da Ampliação da Figura do Grupo Econô-
mico pela Reforma Trabalhista de 2017. O acesso à justiça é novamente debatido por Adriana Cristina de Oliveira 
Teixeira em 

Justiça Gratuita na Reforma Trabalhista: Interpretação à Luz dos Princípios do Livre Convencimento, do 

Acesso à Justiça, da Solidariedade e da Dignidade Humana

.

As implicações da modernização das relações de trabalho na vida dos indivíduos são abordadas por Juliana da 
Silva Lopes, que discute 

O Teletrabalho e seus Impactos na Saúde do Trabalhador

. A trajetória dos sindicatos é re-

visada por Fernanda de Oliveira Mendes em 

Oito Anos da Reforma Trabalhista: Sindicatos e Negociação Coletiva 

de Trabalho

. Encerrando o ciclo de análises, Raphael Jacob Brolio apresenta um estudo empírico em 

Desafi

 

os do 

Contrato de Trabalho Intermitente no Brasil: Análise Estatística e Lacunas Legislativas

.

Ao reunir essas quinze análises, esta edição não apenas revisita os oito anos da Reforma, mas reafirma a urgên-
cia de um balanço comprometido com o trabalho digno, a solidariedade e a justiça social. Oitenta e cinco anos 
após a CLT, o Direito do Trabalho brasileiro encontra-se em um limiar entre sua dissolução e sua reinvenção crí-
tica. As contribuições aqui reunidas são um convite à reconstrução do pacto social, reconhecendo que qualquer 
projeto civilizatório e democrático não pode prescindir da centralidade do trabalho como valor humano e norma-
tivo.