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A eficácia dos direitos fundamentais e o racismo 

institucional no sistema de justiça. 

 

The Effectiveness of Fundamental Rights and Institutional Racism in the 

Justice System   

La eficacia de los derechos fundamentales y el racismo institucional en 

el sistema de justicia   

Fernanda Filgueiras 

 

Universidade de Santo Amaro, São Paulo, Brasil 

https://orcid.org/0000-0002-8817-5379

  

E-mail: 

Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP). Mestra 

pelo Programa Interunidades Integração da América Latina da Universidade de São Paulo 

(PROLAMUSP).

 

   

 

Luana de Sousa Alves Pereira 

 

Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, Mato Grosso

  

https://orcid.org/0009-0007-1152-6568 

E-mail:luanadesouzaap@outlook.com 

Advogada, graduada em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso, orientadora do Centro de 

Assistência Jurídica Saracura da Fundação Getulio Vargas (CAJU-FGV)  

 

Resumo: 

O presente trabalho propõe-se a analisar a evolução legislativa a respeito 

dos  direitos  e  garantias  da  população  negra,  visando  à consolidação da igualdade 
na  sociedade  brasileira.  A  partir  dessa  análise,  promove-se,  de  forma 
complementar, um debate sociológico acerca dos motivos pelos quais, a despeito da 
existência  de  um  robusto  arcabouço  normativo  que  ampara  a  criminalização  do 
racismo  e  os  direitos  da  população  negra,  ainda  persiste  uma  cultura  de  racismo 
internalizado  no  país.  Demonstra-se  que o denominado racismo institucional opera 
como  um  mecanismo  que  dificulta  a  efetividade  prática  dessas  normas,  de  modo 
que, mesmo diante de uma legislação abrangente, as condutas discriminatórias não 
são  devidamente  penalizadas,  perpetuando  a  cultura  da  exclusão  racial  na 
contemporaneidade. 

Palavras-chave: 

Direitos  Fundamentais;  Racismo  Institucional;  Injúria  Racial; 

Sistema de Justiça; Eficácia Vertical. 

Abstract: 

The  present  paper  analyzes  the  legislative evolution regarding the rights 

and guarantees of the black population, aiming at the consolidation of equality within 
Brazilian society. Based on this analysis, a sociological debate is promoted regarding 
the  reasons  why,  despite  a  robust  regulatory  framework  that  supports  the 
criminalization of racism, a culture of internalized racism still persists in the country. It 
is demonstrated that institutional racism operates as a mechanism that obstacles the 
practical  effectiveness  of  these  norms,  so  that,  even  faced  with  comprehensive 
legislation,  discriminatory  conducts  are  not  properly  penalized,  perpetuating  the 
culture of racial exclusion in contemporary times.  

 

Revista ESASP - Revista Científica Virtual da Escola Superior de Advocacia 

da OAB SP

, São Paulo, n. 51, e20260012, 2026.

  

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Keywords:  

Fundamental Rights; Institutional Racism; Racial Insult; Justice System; 

Vertical Effectiveness. 

Resumen: 

El presente trabajo se propone analizar la evolución legislativa respecto 

de  los derechos y garantías de la población negra, con miras a la consolidación de 
la  igualdad  en  la  sociedad  brasileña.  A  partir  de  este  análisis,  se  promueve,  de 
forma  complementaria,  un  debate  sociológico  sobre  los  motivos  por  los  cuales,  a 
pesar de la existencia de un robusto marco normativo que ampara la criminalización 
del  racismo  y  los  derechos  de  la  población  negra,  aún  persiste  una  cultura  de 
racismo  internalizado  en  el  país.  Se  demuestra  que  el  denominado  racismo 
institucional opera como un mecanismo que dificulta la efectividad práctica de estas 
normas,  de  modo  que,  incluso  ante  una  legislación  amplia,  las  conductas 
discriminatorias  no  son  debidamente  penalizadas,  perpetuando  la  cultura  de  la 
exclusión racial en la contemporaneidad.  

Palabras  clave: 

Derechos  Fundamentales;  Racismo  Institucional;  Injuria  Racial; 

Sistema de Justicia; Eficacia Vertical.  

Recebido em:

 julho de 2026   

Aceite em:

 agosto de 2026 

Publicado em

: agosto de 2026 

1. Introdução 

O  presente  artigo  insere-se  no  contexto  do  estudo  jurídico  e  sociológico  da 

discriminação  racial  no  Brasil,  analisando sua evolução legislativa desde o período 

antecedente  à  abolição  da  escravatura  até  a  contemporaneidade.  Busca-se,  com 

essa abordagem, demonstrar tanto os amparos legais progressivamente conferidos 

à  população  negra  quanto  os  desafios  estruturais  que  essa  parcela  da  sociedade 

ainda enfrenta no combate ao racismo.  

Problematiza-se  o  fato  de  que,  a  despeito da uma evolução legislativa significativa 

no enfrentamento ao preconceito de raça, a discriminação racial ainda se manifesta 

de forma massiva no país. Nesse sentido, o trabalho busca compreender as razões 

pelas  quais  o  racismo  permanece  profundamente  arraigado  na  atualidade, 

especialmente  no  sistema  de  justiça,  delineando,  outrossim,  possíveis  soluções 

para o seu efetivo enfrentamento.  

Metodologicamente,  este  artigo  configura-se  como  uma  pesquisa  de  natureza 

qualitativa e sociojurídica, estruturada a partir da análise da legislação, da doutrina e 

estudos  sociológicos.  O  delineamento  metodológico  prioriza  a  investigação  crítica 

do racismo institucional e da eficácia dos direitos fundamentais. Esclarece-se que os 

dados  estatísticos  e  empíricos  mobilizados  ao  longo  do  estudo  possuem  caráter 

 

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secundário  e  contextual,  servindo  como  aparato  de  suporte  analítico  e 

comprobatório  para  a  compreensão  da  realidade  fática  investigada,  em  total 

consonância com a abordagem qualitativa adotada. 

O  foco  da  análise  consiste  em  explicar  a  evolução  dos  direitos  e  garantias  da 

população  negra desde o Brasil Império até os dias atuais, com fundamentação no 

ordenamento jurídico positivo e em estudos sociológicos e sociojurídicos, de modo a 

promover uma abordagem interseccional no campo da ciência jurídica. 

Cumpre  destacar,  desde  já,  que  a  análise  do  racismo  institucional  proposta  neste 

artigo  adota  o  recorte  específico  voltado  à  população  negra  e  parda  do  gênero 

masculino.  Tal  delimitação  justifica-se  pela  incidência  alarmante  e  desproporcional 

da  letalidade  violenta  e  da  seletividade  penal  e  policial  sobre  a  este  grupo 

específico,  conforme  apontam  os  relatórios  e  estatísiticas  institucionais.  A 

explicação  precoce  deste  recorte  metodológico  assegura  o  rigor  científico  e  a 

coerência sistêmica entre os objetivos propostos, o desenvolvimento argumentativo 

e as conclusões alcançadas ao longo do estudo.  

O  leque  de  normativas  examinadas  compreende,  em  suma,  a  legislação  pátria, 

articulando  decretos,  constituições  e  tratados  internacionais  dos  quais  o  Brasil  é 

signatário. O tema abrange, majoritariamente, diplomas legais que dispõem sobre a 

igualdade  de  direitos  e  a  criminalização  do  racismo,  trazendo,  como  contraponto 

analítico,  o  exame  de  normas  históricas  que  operavam  de  forma  estritamente 

discriminatória.

 

2.  O  percurso  normativo  da  tutela  racial  e  as  barreiras  hermenêuticas  no 

sistema de justiça. 

Nesta  seção,  analisa-se  a  evolução  legislativa  no  contexto  da  garantia  de  direitos 

para  a  população  negra,  compreendendo  o  percurso  histórico  nacional  desde  o 

regime  escravocrata  até  a  promulgação  da  Lei  nº  7.716/1989  que  foi  o  grande 

marco na luta contra a discriminação racial e o racismo estrutural. 

A  Carta  Magna  do  Brasil  Império,  outorgada  em  1824,  já  previa  formalmente  o 

princípio  da  igualdade  humana;  entretanto,  a  abolição  da  escravatura  só  foi 

juridicamente  consolidada  no  país  em  13  de  maio  de  1888,  por  meio  da  Lei  nº 

3.353, conhecida como Lei Áurea. 

 

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No  final  do  século  XIX,  antes  da  abolição  definitiva,  o  ordenamento  jurídico 

testemunhou  uma  tímida  e  ambígua  construção  legislativa  voltada  à  transição  do 

regime  de escravidão do povo negro. Esse processo iniciou-se com a Lei nº 2.040, 

de 28 de setembro de 1871, a Lei do Ventre Livre, que declarava livres os filhos de 

mulheres  escravizadas  nascidos  a  partir  daquela  data,  sem,  contudo,  oferecer 

amparo socioeconômico para sua subsistência. 

Posteriormente,  foi  editada  a  Lei  nº  3.270,  de  28  de  setembro  de  1885  (Lei  dos 

Sexagenários),  regulamentada  pelo Decreto nº 9.517/1885. Embora referida norma 

pretendesse  libertar  os  escravizados  com  mais  de  60  anos,  sua  aplicação  prática 

impunha  diversas  regras,  uma  vez  que  exigia  dos  beneficiários  a  prestação  de 

serviços como indenização aos seus antigos senhores.  

Diante  da  baixa expectativa de vida da população escravizada à época, o requisito 

etário  e  a  exigência de indenização, demandados pelo decreto, funcionavam como 

impedimentos  reais  ao  direito  à  liberdade,  o  qual  passava  a  ser  condicionado  ao 

pagamento financeiro ou laboral por parte do próprio liberto. 

Logo  após  a  Proclamação  da  República,  o  percurso  normativo  brasileiro 

distanciou-se  da  igualdade  racial,  inaugurando  um  cenário  de  retrocesso  e 

criminalização  ativa  da  população  negra  pelo  próprio  Estado.  Esse  fenômeno 

apareceu  na  legislação  através  do  Código  Penal  de  1890,  que  tipificou  como 

conduta  criminosa  a  prática  da  capoeiragem,  forma  de  manifestação  cultural  e  de 

resistência  desenvolvida  pelos  africanos  escravizados  trazidos  compulsoriamente 

ao país.  

Sob essa perspectiva de exclusão regulamentada, a transição jurídica da população 

negra da condição de objeto para a de sujeito de direitos não foi acompanhada por 

políticas  públicas  de  inclusão,  consolidando  uma  herança  de  desigualdade 

estrutural. Essa coisificação do indivíduo escravizado estendeu-se até as franjas do 

período  republicano,  conforme  se  observa  na  obra  de  Teixeira  de  Freitas,  cuja 

Consolidação  das  Leis  Civis  no  final  do  século  XIX  ainda  mantinha  os  escravos 

inseridos  na  categoria  jurídica  de  bens.  Longe  de  ser  uma omissão involuntária, o 

racismo institucional manifestou-se de forma ativa nas políticas migratórias do início 

da  República,  cujo  objetivo  central  era  o  embranquecimento  populacional  em 

detrimento da absorção da mão de obra negra recém-liberta (PRUDENTE, 2019). 

 

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Ademais,  o  ordenamento  jurídico  do  final  do  século  XIX  continuava  a  chancelar 

condutas  punitivas  baseadas  na  distinção  entre  negros  livres  e  indivíduos 

submetidos  a  castigos  físicos,  sob  o  pretexto  de  que  a  população  negra  seria 

inerentemente transgressora e propensa à criminalidade. 

Essa  estrutura  de  exclusão  institucionalizada  também  se  refletiu  nos  direitos 

políticos. A Constituição de 1891 estabeleceu a alfabetização como requisito para o 

exercício do direito ao voto. Ao adotar esse critério aparentemente neutro, o Estado 

brasileiro  excluiu  do  processo  democrático  a  imensa  maioria  da  população  negra 

recém-liberta,  a  qual,  além  de  ter  sido  desamparada  pelo  Poder  Público  após  a 

abolição, não tinha acesso à educação institucionalizada ou de políticas públicas de 

inserção social. 

Para  Eunice  Prudente  (2019)  há  um  exemplo  contundente  dessa  engenharia  de 

exclusão  reside  no  Decreto  nº  528,  de  28  de junho de 1890, editado pelo governo 

provisório de Deodoro da Fonseca, que, ao tempo em que declarava livre a entrada 

de  imigrantes  aptos  para  o  trabalho,  restringia  expressamente  em  seu  artigo  1º  a 

admissão  de  nativos  da  Ásia  e  da  África,  condicionando-a  a  uma  autorização 

excepcional  do  Congresso  Nacional.  Esse  direcionamento  normativo  de  cunho 

discriminatório acentuou-se durante a Era Vargas por meio de decretos-leis de viés 

marcadamente eugênico.  

O  Decreto-Lei  nº  406  de  1938,  em  seu  artigo  2º,  outorgava ao Governo Federal o 

direito  de  limitar  ou  suspender  a  entrada  de  indivíduos  de  determinadas  raças  ou 

origens  por  conveniência  econômica  ou  social.  Posteriormente,  o  Decreto-Lei  nº 

7.967  de  1945  solidificou  essa  barreira  ao  preconizar  em  seu  artigo  2º  que  a 

admissão  de  imigrantes  deveria  preservar  e  desenvolver  as  características  da 

ascendência  europeia  na  composição  étnica  da  população.  Resta  evidente, 

portanto,  que o racismo estrutural brasileiro foi meticulosamente edificado por meio 

de  atos  normativos  que  institucionalizaram  a  preferência  estatal  pela  branquitude, 

relegando o cidadão negro à base da pirâmide socioeconômica (PRUDENTE, 2019) 

A virada paradigmática na proteção penal contra a discriminação racial iniciou-se na 

segunda  metade  do  século  XX,  impulsionada  pelo  cenário  pós-Segunda  Guerra 

Mundial  e  pela  consolidação  dos  Direitos  Humanos  no  plano  internacional,  com  a 

criação  da  Organização  das  Nações  Unidas  (ONU).  No  ordenamento  jurídico 

brasileiro,  a  Lei  nº 1.390, de 3 de julho de 1951 (Lei Afonso Arinos), representou o 

 

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primeiro diploma legal a punir o preconceito de raça ou de cor, embora o fizesse de 

maneira branda, sob a forma de uma contravenção penal.  

Paralelamente,  o  Estado  brasileiro  tendeu  ao  alinhamento internacional ao ratificar 

importantes tratados, como a Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de 

Todas  as  Formas  de  Discriminação  Racial  (1963)  e  a  Convenção  correspondente, 

internalizada em 1968. 

O  amparo  legal  avançou  de  forma  significativa  nas  décadas  seguintes.  No  âmbito 

educacional,  a  posterior  Lei  nº  10.639/2003  alterou  as  Diretrizes  e  Bases  da 

Educação  Nacional,  cuja  lei  geral  é  de  1996,  para  tornar  obrigatória a inclusão da 

temática  "História  e  Cultura  Afro-Brasileira"  nos  currículos  escolares,  de  forma  a 

combater as bases ideológicas do racismo estrutural.  

O  ápice  dessa  evolução  normativa  consolidou-se  com  a  promulgação  da 

Constituição Federal de 1988, a "Constituição Cidadã", que inseriu em seu artigo 5º, 

inciso  XLII,  o  racismo  como  crime  inafiançável  e  imprescritível.  Logo  no  ano 

seguinte,  a  edição da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 (Lei Caó), densificou o 

mandado constitucional de criminalização. 

A inclusão da injúria racial no escopo protetivo da legislação de regência passou por 

uma marcante transição dogmática antes de alcançar a atual equiparação ao crime 

de  racismo.  Inicialmente,  a  Lei  nº  9.459/1997  inseriu o parágrafo terceiro no artigo 

140 do Código Penal, instituindo uma modalidade qualificada de injúria associada a 

elementos  de  raça,  cor,  etnia,  religião  ou  origem. Contudo, a fixação de uma pena 

menor e o tratamento processual apartado faziam com que a resposta jurídica fosse 

frequentemente  considerada  ineficaz pela comunidade jurídica face à gravidade da 

conduta (PEREIRA, 2023).  

Compreendido  o  percurso  legislativo,  a  próxima  seção  analisará  os  fatores 

socioculturais  e  institucionais  que  explicam  por  que,  a  despeito  do  robusto 

arcabouço normativo protetivo, o racismo permanece profundamente enraizado nas 

práticas  cotidianas  do  sistema  de  justiça  brasileiro,  manifestando-se  desde  a 

seletividade  da  abordagem  policial  até  os  vieses  interpretativos  na  atividade 

jurisdicional.  É  sob  esse  cenário  que  o  fenômeno  do  racismo institucional passa a 

operar como um óbice à eficácia dos direitos fundamentais.

 

 

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3.  Os  direitos  fundamentais  da  Constituição  de  1988  como  instrumento  de 

combate ao racismo. 

A  Constituição  Federal de 1988 consagrou, em seu artigo 5º, a igualdade de todos 

perante  a  lei, sem distinção de qualquer natureza. Ademais, em seus incisos XLI e 

XLII,  determinou  que  a  lei  punirá  qualquer  discriminação  atentatória  dos  direitos e 

liberdades  fundamentais,  estabelecendo  que  a  prática  do  racismo  constitui  crime 

inafiançável e imprescritível, sujeito a pena de reclusão.  

A  despeito  de  a  Constituição  de  1988  fixar  em  seu  artigo  3º,  inciso  IV,  o  objetivo 

fundamental de promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, 

cor  ou  idade,  a  inércia  dos  poderes  instituídos  em  efetivar  as  políticas  de  ação 

afirmativa  demonstra  a  persistência  de  uma  estrutura  que  insiste  em  manter  a 

distribuição  de  papéis  sociais  herdada  diretamente  do  século  XIX  (PRUDENTE, 

2019). 

Entretanto, a existência formal de um extenso arcabouço normativo antirracista não 

é, por si só, garantia de sua eficácia material. A divulgação do 19º Anuário Brasileiro 

de  Segurança  Pública  e  do  Relatório  Pele  Alvo:  Entre  Racismo  e  Letalidade,  o 

Amanhã  revelam  que  a  própria  estrutura  responsável  por  aplicar  a  lei,  isto  é,  o 

sistema  de  justiça  em  sentido  amplo  (Judiciário,  Ministério  Público,  polícias  e 

sistema  prisional)  reproduz,  de  maneira  persistentemente  e  desproporcional,  a 

desigualdade racial.  

Conforme a Rede de Observatórios da Segurança (2026), a letalidade policial incide 

de  forma  desproporcional  sobre  a  juventude  negra,  especialmente  nos  territórios 

periféricos,  evidenciando  que  as  políticas  de  segurança  pública  ainda  operam  de 

maneira  seletiva  e  racializada,  atingindo  prioritariamente  jovens  negros  do  sexo 

masculino. 

Constata-se,  assim,  um  paradoxo:  as  instituições  encarregadas  de  assegurar  a 

eficácia  dos  direitos  fundamentais  são,  elas  próprias,  agentes  de  sua  ineficácia 

quando o critério de distinção é a raça.  

A  dogmática  constitucional  contemporânea  distingue,  tradicionalmente,  duas 

dimensões  de  eficácia  dos  direitos  fundamentais.  A eficácia vertical corresponde à 

vinculação  do  Estado  aos  direitos  fundamentais  nas  relações  que  trava  com  os 

particulares,  impondo-lhe  deveres  de  respeito,  abstenção  e,  em  sua  feição 

contemporânea, também de proteção ativa.  

 

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A eficácia horizontal, por sua vez, vincula os direitos fundamentais às relações entre 

particulares, seja de forma direta e imediata, seja de forma indireta e mediada pela 

legislação  infraconstitucional.  É  essa  lógica  horizontal  que  fundamenta,  por 

exemplo, a proibição de recusa de atendimento a clientes por motivo racial, prevista 

na Lei Caó (Lei nº 7.716/1989), aplicável às relações entre particulares no comércio 

e na prestação de serviços.  

Conforme  o  entendimento  de  Prudente  (2019),   para  além  do  plano  estritamente 

dogmático,  a  compreensão  do racismo institucionalizado nas entranhas do aparato 

estatal exige uma visão macroscópica das estruturas de poder.  

Nesse  sentido,  Prudente  (2019)  recorre  à  metáfora  da  gaiola,  formulada 

originalmente  pela  teórica  Marilyn  Frye,  para  ilustrar  a  natureza  sistêmica  e 

malevolamente  racional  das  práticas  discriminatórias.  Se  um  observador  examinar 

apenas  um  fio  isolado  da  gaiola,  não  conseguirá  compreender  por  que  o  pássaro 

não escapa; a impossibilidade de libertação só se torna inteligível quando se analisa 

a totalidade dos fios interligados. Transposto esse conceito para a realidade jurídica 

pátria, percebe-se que as instituições públicas e privadas operam de modo a manter 

a  população  vulnerabilizada  aprisionada  em  uma  engrenagem  invisível,  onde  o 

racismo  e  suas  práticas  cotidianas  foram  banalizados  e  naturalizados.  Esse 

processo  de  naturalização  da  opressão faz com que o próprio Estado, que deveria 

atuar como o garantidor primário da eficácia vertical dos direitos fundamentais e não 

se transforme em um agente reprodutor da discriminação institucional.  

Sustenta-se,  neste  artigo,  que  a  análise  do  racismo  institucional  no  sistema  de 

justiça  exige  a  primazia  da  perspectiva  de  eficácia  vertical.  Antes  mesmo  de  se 

discutir a extensão da vinculação aos particulares, é preciso assegurar que o próprio 

aparato  estatal  que  é  composto  por  juízes,  promotores,  delegados,  policiais  e 

agentes  penitenciários respeite, em sua atuação concreta, a igualdade racial que a 

Constituição lhe impõe observar como dever primário.  

Caso  contrário,  descumpre-se  o  dever  de  tratamento  isonômico  que  lhe  foi 

constitucionalmente imposto. A doutrina identifica ainda, na esteira de Robert Alexy 

e de sua recepção pela literatura brasileira, duas teorias concorrentes sobre o modo 

de  operacionalização  da  eficácia  horizontal:  a teoria da eficácia direta ou imediata, 

que dispensa a mediação legislativa para que os direitos fundamentais vinculem os 

particulares,  e  a  teoria  da  eficácia  indireta  ou  mediata,  que  condiciona  essa 

 

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vinculação  à  interpretação  da  legislação  infraconstitucional  à  luz  dos  valores 

constitucionais.  

Conforme  Alexy  (2022),  os  direitos  fundamentais, em sua acepção liberal clássica, 

são  destinados  primordialmente  a  resguardar  a  esfera  de  liberdade  do  indivíduo 

contra intervenções dos Poderes Públicos, configurando-se como autênticos direitos 

de  defesa  do  cidadão  em  face  do  Estado,  o  que  exige  deste  ações  negativas  e 

deveres primários de abstenção e respeito. 

Parte  expressiva  da  doutrina  nacional  como  Ingo  Wolfgang  Sarlet  e  Luís  Roberto 

Barroso reconhece que o ordenamento brasileiro acolhe, ainda que de modo tácito, 

a  eficácia  horizontal  direta,  com  fundamento  no  §  1º  do  artigo  5º  da  Constituição 

Federal,  que  assegura  aplicabilidade  imediata  às  normas  definidoras  de  direitos  e 

garantias fundamentais.  

Em  face  da  controvérsia  doutrinária  para  o  objeto  deste  artigo,  é  possível  afirmar 

que, independentemente da teoria adotada quanto às relações privadas, a exigência 

de eficácia vertical direta e imediata do direito à igualdade racial em face do próprio 

Estado é inquestionável, por se tratar da hipótese clássica e originária de vinculação 

dos  direitos  fundamentais.  Esse  cenário  torna  ainda  mais  grave  a  constatação 

empírica de que é justamente o aparato estatal de justiça que, na prática, apresenta 

os  índices  mais  expressivos  de  seletividade  racial,  conforme  será  abordado  na 

próxima seção.  

A teoria geral do direito distingue a validade de uma norma, sua pertença regular ao 

ordenamento jurídico, de sua vigência formal e, sobretudo, de sua eficácia social ou 

material, isto é, do grau de efetivo cumprimento e aplicação da norma na vida social 

concreta.  Uma  norma pode ser válida e vigente e, ainda assim, revelar-se ineficaz, 

seja  porque  não  é  observada  pelos  destinatários,  seja  porque  as  instituições 

encarregadas de sua aplicação não a fazem cumprir de modo uniforme e isonômico.  

Esse  descompasso  entre  a  igualdade  proclamada  na  Constituição  de  1988  e  a 

prática  excludente  ganha  contornos  nítidos  na  singularidade  do  preconceito 

brasileiro, frequentemente classificado como um "racismo cordial". Trata-se de uma 

modalidade  sutil  em  que  impera  o  que  Florestan  Fernandes  denominou  de 

"preconceito  retroativo",  isto  é,  o  preconceito  de  ter  preconceito  ,  no  qual  a 

discriminação opera de forma velada, mascarando as tensões sociais (SCHWARCZ, 

1996).  

 

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Esse  fenômeno  é  evidenciado  por  dados  de  pesquisas  empíricas  compilados  por 

Schwarcz  (1996),  nos  quais  se  constata  um  severo  paradoxo  comportamental: 

enquanto a esmagadora maioria da população (98%) nega possuir qualquer tipo de 

preconceito  de  cor,  quase  a  totalidade  dos  entrevistados  (99%)  afirma  conhecer 

pessoas racistas em seu círculo de convivência próxima. Essa dinâmica sociológica 

reflete-se diretamente no sistema de justiça, onde os operadores do Direito tendem 

a se enxergar como ilhas isoladas de neutralidade democrática, esconder o racismo 

estrutural que corrói silenciosamente a atividade jurisdicional. 

O  descompasso  entre  o plano normativo e a realidade empírica é categoricamente 

corroborado  pelos  dados  do  Atlas  da  Violência  2026.  Revela-se  um  paradoxo 

estrutural incontornável: embora o país registre uma tendência geral de declínio nos 

índices absolutos de homicídios, a redução da violência letal não ocorre de maneira 

equitativa  entre  os  diferentes  grupos  raciais.  Enquanto  a  queda  nos  registros  de 

mortes violentas atingiu 38,9% entre a população não negra ao longo do período de 

2014  a  2024,  o  recuo  entre  a população negra foi de apenas 21,7%, evidenciando 

que  os  benefícios  das  políticas  de  segurança  pública  não  se  distribuem  de  forma 

isonômica  e  que  a  proteção  do  direito  à  vida  permanece  hierarquizada  na  prática 

social (ATLAS DA VIOLÊNCIA, p. 88, 2026) 

É  precisamente  essa  diferença  entre  a  eficácia  jurídico-formal  e  a  eficácia 

sociológica que caracteriza, no Brasil, a tutela dos direitos fundamentais em matéria 

racial.  A  Constituição  e  a  legislação  infraconstitucional  preveem,  com  precisão 

normativa  crescente,  a  igualdade  racial  e  a  criminalização  do  racismo;  todavia, 

como  se  demonstrará  na  seção  seguinte,  essa  previsão  convive  com  um 

funcionamento institucional que, na prática, distribui de modo desigual os benefícios 

e os ônus da atuação estatal conforme a raça dos indivíduos envolvidos.

 

4. O racismo institucional como óbice à eficácia dos direitos fundamentais 

Nesta  seção,  objetiva-se  discorrer  acerca  do  fenômeno  do  racismo  institucional,  o 

qual  obstaculiza,  frequentemente, a eficácia das leis de combate à discriminação e 

perpetua a cultura de exclusão racial no Brasil.  

Para  compreender  a  construção  dessa  cultura  discriminatória  no  país,  faz-se 

necessária  uma  análise das raízes ideológicas que a estruturaram. Entre o final do 

século  XIX  e  o  início  do  século  XX,  testemunhou-se  a  formulação  de  diversas 

 

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teorias  destinadas  a  perpetuar  o  paradigma  de  que o negro seria "inferior". Com o 

advento  da  abolição,  o  Estado  absteve-se  de  criar  políticas  públicas  voltadas  à 

inclusão  do  negro  liberto,  marginalizando-o  de  tal  forma  que  sua  exclusão  social 

restou consolidada.  

Essas teorias, frequentemente amparadas em pseudociências, ditavam à sociedade 

uma  suposta  divisão  biológica  entre  as  raças,  como  citado  na  primeira  seção. 

Destacava-se,  nesse  cenário,  a  Eugenia,  que  associava  traços  biológicos  a 

estigmas  comportamentais,  sob  o  argumento  de  que  os  indivíduos  negros  seriam 

propensos à prática de crimes (PEREIRA, 2023) 

Paralelamente,  incentivava-se  o  embranquecimento  racial,  que  foi  uma  tese 

defendida  pelo  médico  João  Baptista  de  Lacerda,  que  propunha  o  estímulo  a 

casamentos  interraciais  para  que,  no  longo  prazo,  a  população  negra  fosse 

gradualmente extinta do país. Sob esse viés racista, sustentava-se que a população 

negra não apenas propagava patologias, mas também se revelava intelectualmente 

inferior e potencialmente criminosa (PEREIRA,2023)  

Essas  ideologias  arraigaram-se  de  tal  maneira  que  o  negro,  mesmo  formalmente 

livre,  continuou  a  ser  considerado  inferior.  Desse  modo,  o  fim  do  regime 

escravocrata não lhe garantiu o pleno reconhecimento de sua dignidade humana; ao 

contrário, a população negra passou a ser tratada como um "problema social" a ser 

gerido pelo Estado.  

Em consonância com as teses ditas científicas, emergiram teorias sociológicas que 

moldaram o pensamento nacional sobre as relações raciais. Na década de 1930, o 

teórico Gilberto Freyre, em sua obra Casa-Grande & Senzala (2003, p .45), conferiu 

uma roupagem distinta à realidade fática da época, ao sustentar que o país vivia em 

harmonia por força de sua miscigenação.  

Segundo  essa  perspectiva,  brancos,  negros,  indígenas  e  imigrantes  europeus 

coexistiam  sem distinções de tratamento. A tese fundamentava-se na ideia de uma 

"cordialidade" intrínseca, que supostamente neutralizava a hierarquização racial em 

virtude da composição mestiça da sociedade (FREYRE, 2003) 

Historicamente,  a  transição  para  essa  naturalização  do  racismo  institucionalizado 

nas entranhas do Estado operou-se a partir da década de 1930. Foi nesse momento 

que a mestiçagem, outrora vista pelas elites do século XIX como um "espetáculo de 

degradação"  ou  um  laboratório  social  fadado  ao  fracasso,  passou  a  ser 

 

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ressignificada e cantada em prosa e verso como a maior especificidade e virtude da 

identidade nacional (SCHWARCZ, 1996).  

Contudo,  ao  priorizar  uma  narrativa  idílica  de  harmonia  e  focar  nas  relações  de 

proximidade sexual do período colonial, a tese freyreana adocicou o ambiente social 

e apagou a violência estrutural e sistemática do regime escravocrata. Como adverte 

Schwarcz  (1996),  o  mito  da  democracia  racial  não  deve  ser  compreendido  como 

uma  mera  mentira  que  oculta  a  realidade,  mas  sim  como  um  poderoso  discurso 

estatal  de  controle  social  que  fala  continuamente,  normalizando  as  hierarquias 

raciais  e  desarmando  a  discussão  crítica  sobre  a  efetiva  cidadania  da  população 

negra. 

Esse  discurso  foi  amplamente  difundido  durante  o  período  do  Estado  Novo, 

operando como um mecanismo para invisibilizar as profundas desigualdades raciais 

latentes no país. 

Posteriormente,  o  sociólogo  Florestan  Fernandes,  em  sua  obra  fundamental,   A 

integração  do  Negro  na  Sociedade  de  Classes  (2008,  p.  54)  contestou 

expressamente  esse  cenário,  demonstrando  que  o  mito  da  "democracia  racial" 

consistia  em  um  instrumento  estatal  de  controle  social,  cujo  objetivo  era  inibir  o 

debate sobre a diferença racial, normalizar o racismo e manter intactas as estruturas 

de dominação.  

A  compreensão de como esse fenômeno se perpetuou após a abolição explica por 

que,  até  os  dias  atuais,  o  racismo  permanece  como  um  tema  sensível  e 

naturalizado,  impondo  sérias  barreiras à sua fiscalização e combate, a despeito do 

amplo arcabouço legislativo existente.  

Diante  desse  panorama  estrutural,  cumpre  analisar  o  funcionamento  da  "violência 

simbólica",  conceito  formulado  pelo  sociólogo  Pierre  Bourdieu,  a  fim  de  elucidar  a 

dinâmica operacional do racismo institucionalizado ( BOURDIEU, 2008, p.15) 

A  violência  simbólica  caracteriza-se  por  sua  operação  sutil  e  imperceptível,  razão 

pela  qual  o  sistema  de justiça frequentemente falha em tipificá-la. Trata-se de uma 

modalidade de dominação que se perpetua por meio de sua própria naturalização, o 

que  resguarda  seus  praticantes  de  eventuais  punições,  mantendo  as  hierarquias 

sociais e raciais vigentes.  

 

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No  campo  jurídico,  essa violência manifesta-se em um ambiente estruturado sob a 

premissa  da  neutralidade  e  da  técnica,  mas  que,  paradoxalmente,  legitima  e 

reproduz relações de poder.  

Ainda que o Poder Judiciário aplique leis antirracistas em sua literalidade, subsistem 

espaços  latentes  de  reprodução  do  racismo,  expressos  por  critérios  ocultos  de 

seletividade  de  seus  agentes  e  por  práticas  policiais  que  penalizam  determinados 

grupos de forma desproporcional, conforme atestam os dados do Atlas da Violência.  

Vale salientar que a reprodução dessa violência simbólica contra a população negra, 

em  especial  a  masculina,  não  se  restringe  aos  provimentos  jurisdicionais,  mas 

estende-se  à  cultura organizacional das próprias instituições públicas. Um exemplo 

contundente  reside  na  seletividade  da  violência  policial,  cujos  índices  atingem 

predominantemente  homens  negros,  conforme  demonstrado  pelas  estatísticas 

oficiais (REDE DE OBSERVATÓRIOS DA SEGURANÇA, 2026) 

Essa  assimetria  letal  manifesta-se  de  forma  alarmante  nas  estatísticas  oficiais  de 

criminalidade, afetando desproporcionalmente a população negra. No ano de 2024, 

registraram-se 32.820 homicídios de pessoas negras, o que equivale a 77% do total 

de  mortes  violentas  intencionais  do  país,  resultando  em  uma  média  de  89,9 

assassinatos  diários.  A  taxa  de  mortalidade  desse  grupo  alcançou  27,3  óbitos por 

100  mil  habitantes,  um  índice  170,3%  superior  à taxa registrada entre não negros, 

que  se  fixou  em  10,1  por  100  mil, totalizando a perda de 435.551 vidas negras ao 

longo de uma série histórica de onze anos (ATLAS DA VIOLÊNCIA, 2026, p.89). 

Ademais,  no  que  tange  ao  risco  relativo  de  vitimização,  um  indivíduo  negro 

apresentou 2,7 vezes mais chances de ter sua vida ceifada por homicídio do que um 

cidadão não negro. Essa disparidade atinge picos alarmantes no estado de Alagoas, 

onde  a  probabilidade de um cidadão negro ser assassinado é 23,3 vezes maior do 

que  a  de  um  não  negro,  seguido  pelo  Amapá  com  um  risco  relativo  de  16,7  e 

Sergipe com 6,8. Tais evidências empíricas demonstram que a integridade física e a 

dignidade  humana são atravessadas por dinâmicas históricas de subordinação que 

se  reproduzem  no  interior  do  próprio  aparato  de  segurança do Estado (ATLAS DA 

VIOLÊNCIA, 2026, p.92). 

Esse  cenário  de  seletividade  penal  e  violência  simbólica  culmina  em um dos mais 

severos  dramas  sociais  da  contemporaneidade  brasileira:  a  letalidade 

 

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desproporcional da população jovem e negra perpetrada pelas forças de segurança 

pública. Como adverte Prudente (2019). 

O  Estado,  ao  se  abster  de  implementar  políticas  públicas  estruturais  e  inclusivas 

voltadas  à  correção  das  desigualdades  socioeconômicas,  acaba  por  terceirizar  a 

gestão  dos  conflitos  sociais  às  corporações  policiais,  adotando  um  modelo 

essencialmente  punitivo  e  segregador.  Essa  transferência  de  responsabilidade 

governamental  para  a  força  repressiva  resulta  no  aprisionamento  em  massa  e  na 

morte sistemática de homens jovens e negros nas periferias urbanas.  

Trata-se de uma política que substitui o dever constitucional de propiciar educação e 

inclusão  pelo  medo  e  pela  neutralização  física  de  corpos  historicamente 

estigmatizados,  evidenciando  a  face  mais  violenta  do  racismo  institucionalizado 

(PRUDENTE, 2019) 

Ademais,  práticas  cotidianas  aparentemente  neutras  revelam  a  persistência  desse 

fenômeno  no  ambiente  forense,  tais  como  a  exigência  desproporcional  de 

identificação a profissionais negros que atuam nesses espaços, bem como a severa 

pouca  representação  dessa  população  nos  quadros  do  Judiciário,  seja  na 

magistratura,  no  Ministério  Público,  nas  procuradorias  ou  no  Supremo  Tribunal 

Federal.  

Nesse  sentido,  a  articulação  entre  a  teoria  da  eficácia dos direitos fundamentais e 

as  medidas  institucionais  propostas  exige  compreender  que  a  eficácia vertical não 

opera  de  forma  isolada.  Pelo  contrário,  ela  atua  como  premissa  vinculante  e 

estruturante  que  obriga  o  Estado  a  implementar  ativamente  deveres  positivos  de 

proteção,  políticas  públicas  e  ações  afirmativas,  consolidando  o  enfrentamento  ao 

racismo institucional por meio de instrumentos concretos de efetividade material.

 

5.  Possibilidades  de  transformação:  Políticas  Públicas,  ações  afirmativas e o 

papel do direito do Estado.

 

Nesta  seção,  analisar-se-ão  as  possibilidades  de  transformação  institucional  por 

meio de políticas públicas e ações afirmativas, destacando-se o papel do Direito do 

Estado no enfrentamento ao racismo institucional. 

Sob  esse  viés,  vê-se  que  a  mera  positivação de normas se torna ineficaz sem um 

combate  voltado  à  erradicação  das  práticas  discriminatórias  arraigadas 

culturalmente.  Nesse  sentido,  é  necessário  que  ocorra  uma  mudança  desde  a 

 

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formação inicial da população brasileira; as instituições de ensino devem adotar um 

currículo  educacional  que  ensine  a  combater  a  discriminação  racial,  de  modo  a 

consolidar uma verdadeira educação antirracista. 

Na  busca  por  mecanismos  capazes  de  minar  essas  relações  de  dominação,  a 

dogmática  jurídica  deve dialogar com as lições de Fábio Konder Comparato (2021, 

p.115) acerca da afirmação histórica dos direitos humanos. Conforme pontuado por 

Prudente  (2019),  é  preciso  separar  conceitualmente  a  percepção  da  diferença  da 

constatação da desigualdade. Enquanto as diferenças étnicas, culturais e biológicas 

integram a riqueza da diversidade humana e exigem aceitação e respeito social, as 

desigualdades  econômicas  e  sociais  configuram  injustiças  racionais  destinadas  a 

subjugar o outro.  

Logo,  contra  as  desigualdades  impostas  pelo  racismo estrutural, impõe-se o dever 

de  lutar  ativamente  por  sua  extinção,  o  que  legitima  o  emprego  das  políticas  de 

ação  afirmativa  como  ferramentas  de  justiça  distributiva  e  inclusão  social. Cumpre 

ressaltar que as bases para essa transformação institucional devem ser lançadas na 

infância, por meio de uma educação reflexiva. É no ensino infantil que a escola deve 

atuar  com  maior  vigor,  adaptando  a  comunicação  para  explicar  às  crianças  a 

necessidade  de  se  respeitar  as  diferenças  e,  simultaneamente,  de  se enfrentar as 

desigualdades, combatendo os traumas transatlânticos herdados de quatro séculos 

de escravização (PRUDENTE, 2019) 

A  política  de  cotas  possui  o  potencial  de  transformar  o  cenário  institucional, 

ampliando  a  presença  de  pessoas  negras  em  cargos  de  destaque  no  Poder 

Judiciário,  a  fim  de  que  a  população  se  sinta  mais  representada  e  seja rompida a 

dominação  internalizada  por  meio  do  racismo  institucional,  e  combater  a  falta  de 

representatividade citada na seção anterior. 

Sobre esse panorama, o Ministro Luís Roberto Barroso observou que o país, ainda 

que tardiamente, vem reconhecendo a existência do racismo estrutural, ressaltando 

que  a  linguagem  naturalizada no cotidiano das instituições frequentemente embute 

preconceitos  que  reproduzem  padrões  discriminatórios,  razão  pela  qual  a 

magistratura  não  pode  ser  complacente  com  a  continuidade  de  tais  práticas.  Tal 

reconhecimento,  vindo  da  mais  alta  corte  do  país,  é  indicativo  de  uma  mudança 

paulatina  de  postura  institucional,  ainda  que,  como  demonstrado  empiricamente 

 

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neste  artigo,  a  transformação  da  cultura  jurídica  brasileira  permaneça  incompleta 

(BRASIL, 2021).  

Se  a  análise  empírica  revela  a  insuficiência  da  eficácia  vertical  dos  direitos 

fundamentais no âmbito do próprio sistema de justiça, cumpre indicar, ainda que de 

modo  resolutivo,  quais  iniciativas  institucionais  em  curso  são  capazes  de  reduzir 

esse descompasso entre a norma e a realidade. 

Destaca-se  o  Pacto  Nacional  do  Judiciário  pela  Equidade  Racial,  firmado  entre  o 

Conselho  Nacional  de  Justiça  (CNJ)  e  o  Programa  das  Nações  Unidas  para  o 

Desenvolvimento (PNUD). Sob esse escopo, instituiu-se o Painel de Justiça Racial, 

instrumento  de  transparência  que  permite  o  monitoramento  público  da 

representatividade  racial  e  dos  processos  sobre  racismo  em  cada  tribunal,  assim 

como  e  o  Prêmio  de  Equidade  Racial  do  Poder Judiciário, destinado a reconhecer 

boas práticas institucionais (CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, 2022).  

O  programa  de  Ação  Afirmativa  para Ingresso na Magistratura, também conduzido 

pelo  CNJ, busca ampliar a preparação de candidatos negros para os concursos da 

magistratura.  Esse  programa  parte  do  reconhecimento  de  que  a  política  de  cotas 

instituída  pela  Resolução  CNJ  nº  203/2015,  isoladamente,  não  tem  sido  suficiente 

para  alterar  substancialmente  a  composição  racial  do  Poder  Judiciário,  na  medida 

em  que  a  esmagadora  maioria  dos  magistrados  negros  em  atividade  ainda 

ingressou  por  meio da ampla concorrência (CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, 

2015).  

Pelo  Ministério  dos  Direitos  Humanos  e  da  Cidadania,  um  Plano  Nacional  de 

Combate  ao  Racismo  no  Sistema  de  Justiça  representa  uma  iniciativa  relevante. 

Referido plano prevê a ampliação da Defensoria Pública em territórios periféricos, a 

revisão  de  prisões  provisórias  sob  o  recorte  racial,  a  criação  de  bancos  de  dados 

públicos  sobre  raça  e  justiça,  além  da  formação  antirracista  de  operadores  do 

Direito,  ainda  que  sua  efetividade  dependa  de  continuidade  orçamentária  e 

institucional (BRASIL, 2023).  

Por  fim,  é  preciso  destacar  a  centralidade  da  produção  e  da  qualidade  dos dados 

com recorte racial como pressuposto para a eficácia de qualquer política pública na 

área.  Conforme  evidenciado  pelo  próprio  Atlas  da  Violência,  os  estados  que  não 

coletam  adequadamente  informações  sobre  raça  e  cor  das  vítimas  de  letalidade 

 

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policial contribuem diretamente para a invisibilização do problema, dificultando tanto 

o diagnóstico quanto o desenho de políticas corretivas. 

Para  além  da  mensuração  do  risco,  a  análise  de  territorialidade  aponta  que  a 

violência  letal  se  concentra  majoritariamente  nas  regiões  Norte  e  Nordeste, 

contrastando  com  índices  substancialmente  menores  nas  regiões  Sul  e  Sudeste. 

Em  2024,  enquanto  o  Amapá  registrou  a  taxa extrema de 56,8 mortes por 100 mil 

pessoas  negras,  Alagoas  fixou-se  em  48,9  e  Pernambuco  em  47,6;  no  outro 

extremo,  estados  como  São  Paulo  e  Santa  Catarina  apresentaram  taxas  de  8,0  e 

10,3, respectivamente (ATLAS DA VIOLÊNCIA, 2026, p.90 ).  

Segundo  o  relatório,  essa  acentuada  disparidade  geográfica  reforça  a urgência de 

dados estatísticos qualificados, uma vez que a omissão na coleta adequada dessas 

informações atua diretamente para invisibilizar o racismo institucional e inviabilizar o 

desenho de políticas públicas focalizadas e eficazes. 

Outrossim, constata-se um profundo obstáculo no próprio reconhecimento social da 

gravidade desse cenário letal. Dados de pesquisa de opinião (IPSOS, 2025) indicam 

que,  embora  78%  dos  cidadãos  percebam  o  tratamento  desigual  entre  brancos  e 

negros,  a  maioria  localiza  as  práticas  racistas  predominantemente  em  espaços de 

consumo (57%) ou no mercado de trabalho (44%). Como adverte a literatura jurídica 

de  Adilson  Moreira  (2023),  essa  compreensão  restrita  do  senso  comum  joga  luz 

apenas em dinâmicas de mercado, correndo o risco de subsumir a opressão racial a 

uma  dimensão meramente econômica ou de classe, o que mascara a engrenagem 

soberana  do  racismo  estrutural  que  se  manifesta  na assimetria da proteção à vida 

pelo aparato estatal (ATLAS DA VIOLÊNCIA, 2026, p.94) 

Esses dados cumprem papel fundamental na transição de uma eficácia meramente 

formal  para  uma  eficácia  material  dos  direitos  fundamentais,  na  medida  em  que 

permitem  a  responsabilização  institucional  a  partir  de  evidências  concretas,  e  não 

apenas  da  presunção de neutralidade que, como visto na perspectiva do sociólogo 

Bourdieu, costuma encobrir o funcionamento real das instituições jurídicas.  

Portanto,  o  Brasil  ainda  caminha  na  consolidação  de  iniciativas  de implementação 

dessas diretrizes, o que reforça a necessidade de que as políticas de efetivação dos 

direitos  fundamentais  aqui  discutidas  incorporem,  obrigatoriamente,  o  recorte  de 

raça e gênero. Caso contrário, corre-se o risco de tratar o racismo institucional como 

 

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um  fenômeno  apartado,  quando,  na  realidade,  esses  fatores  operam  de  modo 

entrelaçado sobre o mesmo grupo social.

 

6. Considerações finais 

O  percurso  analítico  trilhado  neste  artigo  permitiu  demonstrar  o  profundo 

descompasso  existente  entre a evolução normativo-formal de proteção à igualdade 

racial e a realidade sociológica que subjaz ao sistema de justiça brasileiro. Ao longo 

da  história  pátria,  a  transição  de  um  Estado  que  chancelava  ativamente  a 

escravização  e  a  subsequente criminalização da população negra para um modelo 

constitucional  fundado  na  dignidade  da  pessoa  humana  e  na repressão severa ao 

racismo  representaram,  inegavelmente,  um  avanço  simbólico  e  dogmático  de 

primeira grandeza.  

Contudo,  a  dogmática  constitucional  contemporânea  ensina  que  a  validade  e  a 

vigência  de  um  texto  legal  não  se  traduzem,  automaticamente,  em  sua  eficácia 

social.  O  ponto  principal  da  problemática  reside  no  fato  de  que  o  próprio  aparato 

estatal  encarregado  de  tutelar  os  direitos  fundamentais  e  aplicar  as  sanções 

antirracistas  de  forma  que  o  sistema  de  justiça  em  sentido  amplo  opera  como um 

vetor de reprodução da seletividade e da assimetria racial.  

Conforme  as  ideias  de  Bourdieu,  constatou-se  que  a  violência  simbólica  atua  de 

forma  sutil  e  naturalizada  na  cultura  organizacional forense, manifestando-se tanto 

na  falta  de  representatividade  dos  operadores  do  direito  quanto  nos  vieses 

interpretativos  e  nas  práticas  policiais  cotidianas  que  vitimizam,  de  forma 

desproporcional,  a  população  negra  e  parda  do  gênero  masculino,  conforme  os 

dados levantados do Atlas da violência. 

Diante  desse  paradoxo,  a  chave  teórica  para  a  superação  do  problema  reside  na 

imperiosa  necessidade  de  se  conferir  primazia  à  eficácia  vertical  dos  direitos 

fundamentais.  Antes  de  se  exigir  o  cumprimento  da  isonomia  nas  relações 

estritamente  particulares,  impõe-se  o  dever  ético  e  jurídico  de  vincular  o  próprio 

Estado e seus agentes aos ditames igualitários da Carta de 1988.  

Um  judiciário  com  práticas  discursivas  preconceituosas  ou  cega  às  dinâmicas  do 

racismo institucionalizado abdica de sua função contramajoritária e perpetua o mito 

da  neutralidade  técnica  como  escudo  para  a  opressão  que  por  tantos  séculos 

perpetua no Brasil.  

 

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Por  fim,  conclui-se  que  a transformação dessa cultura jurídica incompleta depende 

da  articulação  de  políticas  públicas  e  de ações afirmativas consistentes. Iniciativas 

coordenadas  pelo  Conselho  Nacional  de  Justiça,  como  o  Pacto  Nacional  do 

Judiciário  pela  Equidade  Racial e os programas de fomento ao ingresso de negros 

na magistratura, pavimentam um caminho positivo para alterar a dinâmica do poder.  

Somada a isso, a produção de dados estatísticos de qualidade e o emprego de uma 

perspectiva  de  gênero  e  raça  são  pressupostos  que  precisam  contar  para  que  o 

direito  à  igualdade  deixe  de habitar o plano da retórica abstrata e alcance, por fim, 

sua tão necessária eficácia material. 

Referências

 

ALEXY, Robert. 

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. Tradução de Virgílio Afonso da 

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Constituição da República Federativa do Brasil

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maio 2026. 

BRASIL. 

Decreto nº 9.517, de 14 de novembro de 1885

. Aprova o Regulamento 

para a nova matrícula dos escravos menores de 60 anos de idade, arrolamento 
especial dos de 60 anos em diante e apuração da matrícula, em execução do art. 1º 
da Lei n. 3.270 de 28 de setembro deste ano. Coleção das Leis do Império do Brasil, 
Rio de Janeiro, v. 1, p. 738, 1886. Disponível em: 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/D9517.htm

Acesso em: 6 maio 2026. 

BRASIL. 

Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940

. Código Penal. 

Diário 

Oficial da União

: seção 1, Brasília, DF, p. 23911, 31 dez. 1940. Disponível em: 

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm

. Acesso em: 6 maio 

2026. 

 

Revista ESASP - Revista Científica Virtual da Escola Superior de Advocacia 

da OAB SP

, São Paulo, n. 51, e20260012, 2026.

  

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BRASIL. 

Lei nº 1.390, de 3 de julho de 1951

. Inclui entre as contravenções penais 

a prática de atos resultantes de preconceitos de raça ou de cor. 

Diário Oficial da 

União

: seção 1, Brasília, DF, p. 1, 1951. Disponível em: 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l1390.htm

. Acesso em: 6 maio 2026. 

BRASIL. 

Lei nº 2.040, de 28 de setembro de 1871

. Declara de condição livre os 

filhos de mulher escrava que nasceram desde a data desta lei, libertos os escravos 
da Nação e outros, e providencia sobre a criação e tratamento daqueles filhos 
menores e sobre a libertação anual de escravos. Coleção das Leis do Império do 
Brasil, Rio de Janeiro, v. 1, p. 147, 1871. Disponível em: 

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim2040.htm

. Acesso em: 6 maio 2026. 

BRASIL. 

Lei nº 3.270, de 28 de setembro de 1885

. Regula a extinção gradual do 

elemento servil. Coleção das Leis do Império do Brasil, Rio de Janeiro, v. 1, p. 14, 
1886. Disponível em: 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/LIM3270.htm

. 

Acesso em: 6 maio 2026. 

BRASIL. 

Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888

. Declara extinta a escravidão no 

Brasil. Coleção das Leis do Império do Brasil, Rio de Janeiro, tomo 35, parte 1, p. 1, 
1888. Disponível em: 

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim3353.htm

. 

Acesso em: 6 maio 2026. 

BRASIL. 

Lei nº 10.639, de 10 de janeiro de 2003

. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de 

dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, 
para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática 
"História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. 

Diário Oficial da União

seção 1, Brasília, DF, p. 1, 2003. Disponível em: 

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm

. Acesso em: 6 maio 

2026. 

BRASIL. 

Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010

. Institui o Estatuto da Igualdade 

Racial; altera as Leis nos 7.716, de 5 de janeiro de 1989, 9.029, de 13 de abril de 
1995, 7.347, de 24 de julho de 1985, e 10.778, de 24 de novembro de 2003. 

Diário 

Oficial da União

: seção 1, Brasília, DF, p. 1, 2010. Disponível em: 

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12288.htm

. Acesso 

em: 6 maio 2026. 

BRASIL. 

Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012

. Dispõe sobre o ingresso nas 

universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e 
dá outras providências. 

Diário Oficial da União

: seção 1, Brasília, DF, p. 1, 30 ago. 

2012. Disponível em: 

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12711.htm

. Acesso 

em: 6 maio 2026. 

BRASIL. 

Lei nº 14.532, de 11 de janeiro de 2023

. Altera a Lei nº 7.716, de 5 de 

janeiro de 1989 (Lei do Crime Racial), e o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro 
de 1940 (Código Penal), para tipificar como crime de racismo a injúria racial, prever 
pena de suspensão de direito em caso de racismo praticado no contexto de 
atividade esportiva ou artística e prever pena para o racismo religioso e recreativo e 
para o praticado por funcionário público. 

Diário Oficial da União

: seção 1, Brasília, 

DF, p. 1, 12 jan. 2023. Disponível em: 

 

Revista ESASP - Revista Científica Virtual da Escola Superior de Advocacia 

da OAB SP

, São Paulo, n. 51, e20260012, 2026.

  

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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14532.htm

. Acesso 

em: 6 maio 2026. 

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Habeas Corpus nº 154.248/DF

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CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (Brasil). 

Resolução nº 203, de 23 de junho 

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. Dispõe sobre a reserva aos negros de 20% das vagas oferecidas nos 

concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no 
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SCHWARCZ, Lilia K. Moritz. Usos e abusos da mestiçagem e da raça no Brasil: 
uma história das teorias raciais em finais do século XIX. 

Afro-Ásia

, Salvador, n. 18, 

p. 77-101, 1996. Disponível em: 

https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia

Acesso em: 22 maio 2026. 

 

 

 
 

 

Revista ESASP - Revista Científica Virtual da Escola Superior de Advocacia 

da OAB SP

, São Paulo, n. 51, e20260012, 2026.

  


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