O Tambor que o Estado Não Ouve: silêncio programático e racismo estrutural na educação brasileira (2003-2025)

Autores

Palavras-chave:

Educação musical decolonial, Regulação Jurídica, Silêncio Programático

Resumo

Este artigo analisa como a percussão afro-brasileira é regulada nos documentos normativos federais brasileiros entre 2003 e 2025. O objetivo geral é identificar os mecanismos pelos quais o Estado brasileiro silencia a percussão afro-brasileira nos marcos regulatórios da educação básica, apesar da dupla obrigatoriedade criada pela Lei n. 10.639/2003 e pela Lei n. 11.769/2008. A metodologia adotada é a pesquisa documental qualitativa com análise de conteúdo categorial, aplicada a treze documentos normativos federais. Os resultados demonstram que a regulamentação opera por dois mecanismos estruturais: a contingência, que menciona a percussão de forma genérica sem garantir sua inclusão efetiva, e a subalternização, que a enquadra como folclore ou instrumento regional, negando sua especificidade epistemológica. Propõe-se o conceito de silêncio programático para nomear esse fenômeno, diferenciando-o do apagamento epistêmico, do silenciamento curricular e da invisibilização normativa. Conclui-se que o silêncio programático é expressão do racismo estrutural brasileiro no campo educacional, e que sua superação exige regulamentação afirmativa, participação das comunidades de terreiro e reforma dos documentos de formação docente.

Biografia do Autor

  • Tiago Santiago, Fundação Getulio Vargas

    Profissional com trajetória consolidada em análise financeira e jurídica, com formação interdisciplinar em Direito, Contabilidade e Gestão Pública. Atuação acadêmica em Direito da Regulação, Ambiental e Tributário, com pesquisa aplicada em , regulação e decolonialismo, mercados de carbono e tributação sustentável. Perfil analítico, orientado a qualidade, conformidade e resultados. Autor do Podcast No clima da Justiça.

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Publicado

2026-08-06

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Como Citar

O Tambor que o Estado Não Ouve: silêncio programático e racismo estrutural na educação brasileira (2003-2025). Revista ESASP - Revista Científica Virtual da Escola Superior de Advocacia da OAB/SP, São Paulo, n. 51, p. e2026009, 2026. Disponível em: https://revista.esaoabsp.com/index.php/esa/article/view/210. Acesso em: 29 ago. 2026.